Quantas vezes você já foi em um evento com audiodescrição, intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), piso tátil para cegos, banheiro adaptado, rampas e elevadores para cadeirantes e estenotipia (legendagem ao vivo)? Apesar de necessário, é difícil encontrar tudo isso em um lugar só. Porém, o 2º Encontro Brasileiro de Juventude pela Acessibilidade (Juva), que reuniu 50 jovens (com e sem deficiência) de diversos estados brasileiros para promover a inclusão, deu um bom exemplo em realização de eventos públicos.
O encontro foi organizado pela ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, que trabalha desde 2002 para que a sociedade seja inclusiva e sustentável. Fruto da demanda de jovens que participaram do encontro, a 3ª Conferência Nacional de Juventude garantiu canalizar esforços para que a etapa nacional, que deve reunir mais de 2 mil jovens de 16 a 19 de dezembro, em Brasília, atenda aos principais padrões de acessibilidade vigentes.
No Brasil, 45,6 milhões de pessoas possuem alguma deficiência de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2010). Isso significa 24% da população. Prova do quanto é necessário que acessibilidade e inclusão sejam prioridade no desenvolvimento de políticas públicas para a Juventude. Por isso, o Juva cadastrou 5 propostas prioritárias no aplicativo #3ConfJuv, que reúne propostas para a Conferência:
Quais as principais propostas sobre acessibilidade e inclusão?
1. Garantir formação continuada em acessibilidade arquitetônica, comunicacional, atitudinal, instrumental, programática e metodológica para trabalhadores/as do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, qualificando o atendimento a todas as pessoas e, particularmente, a adolescentes em conflito com a lei.
2. Inserir na grade curricular dos ensinos fundamental e médio a disciplina “Inclusão e Acessibilidade”, para que, desde a infância, as pessoas tenham o aprendizado do processo de inclusão e trabalhem para a construção, com a obrigatória integração dos entes federados, de uma política nacional de acessibilidade ampla (arquitetônica, comunicacional, atitudinal, instrumental, programática e metodológica).
3. Fomentar o estudo e a pesquisa para o desenvolvimento e a democratização de tecnologias assistivas (conjunto de métodos, técnicas e recursos que garantem autonomia a pessoas com deficiência).
4. Criar um Programa de Acessibilidade (arquitetônica, comunicacional, atitudinal, instrumental, programática e metodológica) para o atendimento socioeducativo no Brasil, com foco em adolescentes em conflito com a lei, seus/suas familiares e profissionais do sistema socioeducativo.
5. Garantir acessibilidade comunicacional (Libras, audiodescrição, desenho universal, estenotipia, braile, texto com letra ampliada, entre outros) nos espaços culturais.
Juva_2O que vai ter na conferência?
Inscrição: na ficha de inscrição da mostra Manifesta, o participante indica quando houver necessidade especial por conta de alguma deficiência. A Conferência se responsabiliza por dar condições de participação a todos os envolvidos. Delegados.
Piso tátil: piso diferenciado com textura e cor sempre em destaque com o piso que estiver ao redor. Facilita a locomoção, autonomia e segurança de pessoas cegas.
Elevador acessível: Botões em Braille audiodescritivo.
Rampas: facilita locomoção de cadeirantes de idosos.
Intérprete de Libras: Para tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais para surdos.
Linguagem Simples:metodologia de simplificação de linguagem durante o evento. A qualquer momento, qualquer participante pode solicitar que seja repetida uma informação atendendo a sua especificidade.
Audiodescrição: é a uma narração para cegos. Um profissional da área descreve toda a comunicação visual do evento ao vivo. Isso é transmitido aos cegos através de fones de ouvido.