Quadro negro e giz
são símbolos não de aprendizado, mas de chatice. A escola está fora da
realidade dos jovens em instrumentação, temas, abordagem. Pesquisa já
mostrou que 40,44% do 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos que
deveria estar estudando se mantêm fora da sala de aula porque querem.Apenas 17,11% apontam a necessidade de trabalho como razão para deixar os estudos. O imperativo econômico é acachapantemente derrotado pela incapacidade institucional da escola de mostrar-se, se não prazerosa, ao menos necessária ao jovem entre 15 e 17 anos.
Não é uma questão de
linguagem. Os jovens estão aí escrevendo “kd”, “vc”, “blz” e “naum” em
blogs, em e-mails e em mensagens via celular. Será um problema esse uso
despojado e limitado da escrita? Se for, é infinitamente menor do que o
enfrentado por um professor que está em uma sala de aula
-estruturalmente a mesma há centenas de anos- concorrendo na busca da
atenção do jovem com tecnologias informativas que se renovam, se moldam e
se multiplicam diariamente, em escala mundial.
Uma ideia na cabeça e
um giz na mão é uma imagem quixotesca de professor. Não adianta ficar
em frente ao quadro explicando aos jovens a existência de moinhos de
vento tão-somente. Moinhos não mais há, num mundo em que dom Quixote
procuraria a amada Dulcinéia em uma página do Facebook.
“Os professores eram muito chatos. Não sabiam explicar nada e repetiam todo mundo”, afirmou uma jovem que deixou a escola aos 16 anos e em seguida engravidou. O desafio do sistema educacional é apagar essa ideia de chatice. Será preciso algo infinitamente mais complexo do que um simples apagador de giz.
“Os professores eram muito chatos. Não sabiam explicar nada e repetiam todo mundo”, afirmou uma jovem que deixou a escola aos 16 anos e em seguida engravidou. O desafio do sistema educacional é apagar essa ideia de chatice. Será preciso algo infinitamente mais complexo do que um simples apagador de giz.
O jornal “The Independent” havia
anunciado em reportagem que a Finlândia extinguiria o modelo tradicional
de ensino por meio de matérias, substituindo-o por tópicos. Mas o
Ministério da Educação da Finlândia esclareceu que continuará
ministrando aulas como matemática, história, geografia e ciências.
Acrescentará módulos novos como, por exemplo, cidadania, União Europeia,
globalização, aquecimento global.
Lá alguém está tentando alguma coisa. E por aqui? O país ainda
enfrenta a questão rudimentar de ensinar mal o que já parece
ultrapassado.https://br.noticias.yahoo.com/blogs/plinio-fraga/a-escola-precisa-mudar-antes-que-se-descubra-113057381.html