Em “Somos Periferia”, o Palombar mergulha nas próprias raízes e exalta a tradição cultural de Cidade Tiradentes. O grupo mistura propositalmente diversas artes que passeiam pelo bairro e revela um Brasil jovem, que pulsa na quebrada, mas que muita gente ainda não conhece.
Em “Somos Periferia”, Palombar investe em dramaturgia musical e celebra expressões culturais que brotam da quebrada
Até o dia 22 de fevereiro de 2026, o Circo Teatro Palombar (@circopalombar) apresenta a temporada de estreia de “Somos Periferia” no Sesc Belenzinho, Zona Leste de São Paulo. Pensado especialmente para adolescentes e jovens, o espetáculo mistura circo, música ao vivo, poesia periférica, dança, slam e artes visuais para criar uma experiência que é cara de quebrada: o público não só assiste, se reconhece.
Criado a partir das vivências do próprio grupo, sediado em Cidade Tiradentes, bairro localizado no extremo da Zona Leste de São Paulo, o espetáculo assume o bairro não apenas como cenário, mas como identidade. Um território com pouco mais de 40 anos de existência formal, mas atravessado por uma ancestralidade forte, construída no cotidiano, nas lutas, nos afetos e nas expressões culturais que brotam da quebrada.
As projeções visuais do coletivo Coletores, também da Zona Leste e referência em vídeo mapping dentro e fora do Brasil, ampliam a experiência criando uma paisagem viva, reconhecível e afetiva para quem vive ali.
“Somos Periferia” compartilha um jeito de existir ao apresentar diversas identidades possíveis neste território. As letras, as falas, a cenografia e as projeções nascem do que os integrantes do grupo viveram e vivem até hoje. A nova geração ocupa o palco sem esquecer quem abriu caminho antes, e homenageia mestres, mães, trabalhadores e artistas da rua. É uma memória que vira futuro através de uma juventude que exalta suas raízes, fortalecendo o pertencimento e mostrando como a cultura da quebrada foi (e segue sendo) fundamental para quem eles são e para onde estão indo.
O espetáculo homenageia figuras importantes da história local, como como Pai Jair, a Escola de Samba Príncipe Negro, inspiração para um dos integrantes do grupo que é percussionista, Mestre Silva, primeiro mestre de capoeira do bairro e inspiração direta para outro integrante do Palombar. Em um dos momentos, a cena se concentra e a frase ecoa: “O meu axé é a minha força que me guia. Não estou sozinho, carrego meus ancestrais”, revelando a emoção em cada uma dessas reverências.
O poeta Jé Versátil (@jeversatil) atua como uma espécie de mestre de cerimônias. Sua presença costura o espetáculo com poesia slam, rimas faladas e beatbox (a arte de transformar a voz em ritmo e percussão, fundamental na cultura hip-hop) conduzindo o público através da palavra. Outro artista convidado André Canário (@andrecanarioo) faz uma participação com saltos acrobáticos que também reverenciam diretamente a cultura hip-hop, porém através do breaking dance. São artistas que trazem a força das ruas para dentro do circo periférico.
No palco, não existe história fechada nem personagem fixo. A cena é atravessada por imagens, sons e histórias do bairro. Das pipas no céu ao terminal de ônibus, do futebol de várzea aos prédios que moldaram o território. Tudo ali vem da vida real.
No número circense da lira, as mulheres da quebrada chegam em potência e delicadeza, fugindo de estereótipos e padrões, e exaltando a multiplicidade da força feminina. Já a juventude gamer surge com o número do diabolô, brincando entre “Start” e “Game Over” nas projeções. O ciclista passa de monociclo pelos prédios do maior conjunto habitacional da América Latina. E o DJ diz: “Peguei dinheiro emprestado e comprei um equipamento de som.” Pra lançar um beat de música eletrônica misturado ao som do tambor, remetendo o público direto ao fluxo do baile funk e os desfiles de carros tunados.
Tem trolagem e tem fofoca também, porque faz parte do dia a dia. No meio do disse-que-me disse da rua, dois artistas disputam espaço para mostrar sua arte. Usando objetos do cotidiano, eles iniciam um duelo de malabarismos que, aos poucos, deixa de ser confronto e vira troca. A parceria é interrompida pela chegada do “rapa”, pra lembrar que sobreviver na quebrada é um verdadeiro jogo de xadrez.
A trilha sonora é composta pelos ritmos que passeiam pelo bairro: samba, rap, funk, rock, cumbia e música gospel, dialogando com o corpo em movimento através dos passinhos, gingas, acrobacias, lira, rola-rola, diabolô, monociclo, manipulação de objetos e números circenses.
Doze artistas formam uma big band fora do padrão, que se move o tempo todo, ora no instrumento, ora no número, ora só no corpo e na presença. Todos são multi-instrumentistas e se revezam entre a música, o circo e a cena, fazendo do espetáculo um organismo vivo, em constante troca.
Sob direção de Adriano Mauriz, o processo de criação mergulhou fundo na poesia periférica. Durante a preparação, os integrantes do Palombar se dedicaram à leitura de livros do gênero, compartilharam textos autorais, trocaram versos entre si e, a partir desse material, construíram as composições musicais com orientação de Tita Reis, depois os arranjos com orientação musical de Tete Purezempla, e orientação vocal de Wilian Guedes. O resultado é uma dramaturgia musical coletiva, nascida da escuta e da troca.
“Somos Periferia” afirma a periferia como lugar de invenção, pensamento e futuro. Feito por jovens que falam de si para outros jovens, o espetáculo pulsa no ritmo da Zona Leste e convida o público a sentir a energia da juventude da quebrada.
Informações: sescsp.org.br/Belenzinho e www.instagram.com/circopalombar
Serviço: Espetáculo “Somos Periferia” - Com Circo Teatro Palombar
Duração: 60 min. Classificação: Livre
Quando: Até 22 de fevereiro de 2026. Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 17h. Dias 14, 15, 16 e 17. Sábado, domingo, segunda e terça, às 17h.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia-entrada); R$ 15,00 (Credencial Plena)
Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.
Onde: Sesc Belenzinho - Sala de Espetáculos - (120 lugares) - Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700
Estacionamento : De terça a sábado, 9h às 21h. Domingos e feriados, 9h às 18h. Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)
Ficha Técnica - Coordenação Geral e Direção: Adriano Mauriz. Elenco: Anna Karolina, Giuseppe Farina, Guilherme Silveira Torres, Henrique Augusto, Henrique Nobre, Jessica Nascimento, Leonardo Galdino, Marcelo Inayá, Paulo Wesley, Vinicius Mauricio. Artistas Convidados: André Canário e Jé Versátil. Cenografia, Projeção e Animação: Coletivo Coletores. Produção e Adereços: Circo Teatro Palombar. Técnico de Iluminação: João Alves. Técnico de Projeção: Coletivo Coletores. Técnico de Som: JP Hecht. Figurino: Carlos Alberto Gardin. Direção de Movimento: Ronaldo Aguiar. Orientação Acrobática: Mano a Mana. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini de Souza. Arranjos e Orientação Musical: Tete Purezempla. Composição Musical: Tita Reis. Orientação Vocal: Wilian Guedes.
Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini - Whatsapp 1199568-8773 - luciana.gandelini@gmail.com
Sesc Belenzinho: Priscila Dias - Tel.: (11) 2076-9762 | imprensa.belenzinho@sescsp.org.br