Entenda por que a faixa dos 18 aos 25 anos é considerado um período favorável para hipertrofia e por que isso não dispensa acompanhamento e disciplina
O corpo definido de Paulo Augusto, participante do BBB26, não passou despercebido pelo público. Aos 21 anos, o jovem chama atenção não apenas pela presença física dentro da casa, mas também pelo porte atlético, que levanta uma pergunta recorrente entre especialistas e praticantes de atividade física: a idade facilita realmente o ganho de massa muscular? A resposta é sim, mas com importantes ressalvas.
Segundo Yago Fernandes, médico atuante em Endocrinologia, a idade influencia diretamente o processo de hipertrofia, ainda que não seja um fator determinante isolado. “Com o passar dos anos, ocorre uma redução gradual de hormônios anabólicos, da taxa de recuperação muscular e da síntese proteica”, explica o médico. A partir dos 35 anos, o organismo tende a entrar em um processo natural de catabolismo, caracterizado pela perda progressiva de massa muscular. Isso, no entanto, não significa que ganhar músculo se torne impossível. “Treinamento resistido regular, nutrição adequada e um estilo de vida saudável conseguem frear e até reverter a perda muscular em qualquer idade. Ou seja: pessoas bem orientadas podem hipertrofiar em diferentes fases da vida”, conclui Fernandes.
*O “auge” entre os 18 e 25 anos*
A faixa etária entre 18 e 25 anos é frequentemente considerada a mais favorável para a hipertrofia por um motivo claro: o organismo está em seu auge hormonal e metabólico. Nesse período, os níveis de testosterona, hormônio do crescimento são mais elevados, favorecendo a construção muscular.
Além disso, há maior capacidade de recuperação após os treinos, melhor resposta ao estímulo de força e menor risco de lesões. “Isso contribui para ganhos mais rápidos e consistentes, desde que haja constância e método”, ressalta o Endocrinologista.
É nesse contexto que o físico de Paulo Augusto se encaixa. Jovem, disciplinado e visivelmente treinado, ele representa um exemplo de como essa fase da vida pode potencializar os resultados mas não criá-los sozinha.
*O que está por trás de um corpo mais desenvolvido*
De acordo com Fernandes, um porte físico mais destacado em pessoas jovens costuma ser resultado da combinação de vários fatores, e não de um único elemento isolado. Entre eles estão o início precoce da prática esportiva, uma rotina de treinos bem estruturada, alimentação equilibrada, sono de qualidade e, sim, alguma predisposição genética. “Na maioria das vezes, não é sorte. É constância e hábitos bem estabelecidos ao longo do tempo. No caso de Paulo Augusto, o que o público vê hoje é reflexo de uma construção contínua, algo comum em jovens que respondem bem ao estímulo físico e mantêm regularidade nos cuidados com o corpo”, explica.
*Genética ajuda, mas não faz tudo*
Embora a genética tenha papel relevante, ela não é soberana. “A genética define o potencial, mas é a rotina que determina o quanto desse potencial será alcançado”, afirma o endocrinologista. “Na prática clínica, o acompanhamento envolve avaliação do histórico familiar, composição corporal, exames hormonais e resposta individual ao treino. Deficiências nutricionais — como vitamina D, B12, ferro — ou alterações hormonais podem limitar o ganho muscular, mesmo em pessoas jovens e geneticamente favorecidas. Por isso, o papel do médico não é intervir excessivamente, mas não atrapalhar o processo natural do organismo, atuando apenas quando necessário e ajudando a prevenir lesões. O trabalho integrado com educadores físicos e nutricionistas também é fundamental para evitar excessos, como o overtraining, comum em quem apresenta resposta rápida aos estímulos”, ressalta o host do podcast DocShow, que recebe diferentes celebridades para falar de saúde.
