História pessoal ilustra o impacto do projeto Juventude Popular nas Universidades, do Fundo Casa Fluminense que atua na Região Metropolitana do Rio. Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2025 – Aos 17 anos, Taiellen da Costa enfrentava o vestibular com mais do que a pressão das provas. A jornada diária para as aulas no Pré-vestibular Comunitário Solano Trindade começava com um desafio básico: as desigualdades que carregava na bagagem. Sem condições de fazer outra refeição além do almoço em casa, ela chegava ao coletivo já com fome, enquanto a base deficitária da escola pública a fazia encarar matérias que pareciam um código indecifrável. Hoje, formada em Biologia pela UNIRIO e professora no mesmo cursinho que a acolheu, sua história se tornou o exemplo vivo do poder transformador da educação comunitária. A trajetória de Taiellen é uma das histórias que inspirou a criação do programa Juventude Popular nas Universidades, linha de apoio do Fundo Casa Fluminense que fortalece o Solano Trindade e outros nove pré-vestibulares populares de favelas e periferias da Região Metropolitana do Rio. Depois de quatro anos de tentativas, três deles sem o respaldo de qualquer cursinho, a aprovação em 2016 veio carregada de alívio. “Eu não tinha outra opção, tinha que passar. Deixei de trabalhar para estudar, não poderia deixar minha mãe arcar com todas as contas de casa mais um ano sozinha”, relembra a jovem, que se tornou a primeira da família a ingressar no ensino superior.
O ciclo se completou de forma inesperada quando, ainda na universidade, foi convidada a retornar ao cursinho, agora do lado do quadro. “Ser professora não estava em meus planos... só aceitei pelo respeito e gratidão ao pré, mas essa experiência mudou a minha vida”, conta. Na sala de aula, Taiellen leva uma mensagem poderosa aos alunos que, como ela um dia, duvidam da própria capacidade: “estamos em uma corrida na qual a largada já aconteceu, mas apenas para alguns. Temos que levantar e começar a correr, sem medo e sem olhar para o tempo perdido. A escolha deve ser sua. Se você quer, você pode. A ignorância não é uma opção”.
O impacto do trabalho que transformou a vida de Taiellen pode ser medido em números. Desde sua criação, o Juventude Popular nas Universidades já atendeu mais de 1780 alunos, contando com a dedicação de cerca de 900 voluntários. O resultado mais concreto são mais de 340 aprovações em universidades, espalhando oportunidades reais pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
“A história da Taiellen demonstra perfeitamente nossa missão: quebrar o ciclo de exclusão e criar uma corrente de oportunidades”, afirma Paola Lima, coordenadora de mobilização da Casa Fluminense. “Cada aprovação é uma vitória coletiva. Mostra que quando oferecemos ferramentas e apoio comunitário, a juventude popular não só entra na universidade como retorna para fortalecer sua comunidade”.
A experiência no Solano Trindade abriu portas para Taiellen, que hoje leciona em diversos cursos preparatórios e estabeleceu conexões em grandes instituições como a Fiocruz, participando de editais de cultura e educação. Sua carreira é um testemunho de como o investimento em educação comunitária gera frutos que se multiplicam para muito além da sala de aula.
Saiba mais sobre o projeto no relatório Juventude Popular nas Universidades, disponível no site oficial da organização. Disponíveis para entrevistas:
Taiellen da Costa, ex-aluna e atual professora do Pré-Vestibular Comunitário Solano Trindade: pode falar sobre os desafios do acesso à universidade na periferia, a experiência de transição de aluna à educadora e a importância do apoio comunitário. Paola Lima, coordenadora de mobilização da Casa Fluminense / Projeto Juventude Popular nas Universidades: pode comentar os dados de impacto do projeto, os desafios da educação no Rio de Janeiro, a metodologia de atuação comunitária e a importância de políticas públicas que ampliem esse modelo. Sobre a Casa Fluminense: Fundada em 2013, a Casa Fluminense atua no fortalecimento de lideranças e organizações populares na busca por justiça racial, de gênero, econômica e climática, impulsionando ações territoriais, monitoramento cidadão e incidência política da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para o Brasil.
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