Escola Municipal Belo
Horizonte adaptou um espaço onde alunos com idade entre 4 e 5 anos aprendem
sobre o valor nutricional dos alimentos e assimilam, de maneira lúdica,
conceitos como forma, peso, higiene e segurança
Alunos
da Educação Infantil do Colégio Municipal Belo Horizonte, no bairro Vista
Alegre, em Barra Mansa, estão descobrindo o valor nutricional dos alimentos e
seus impactos na melhoria do sistema imunológico, na
qualidade de sono, no humor e até na capacidade de concentração.
Literalmente com a mão na massa, os pequenos preparam sucos e sanduíches
naturais, entre outros alimentos e assimilam novos conceitos e conhecimentos.
A atividade
faz parte do Projeto Cozinha Experimental, desenvolvido uma vez por mês na
própria unidade educacional há três anos e idealizado pela então diretora
Luciana Barbosa Borges de Sá. “Oferecer uma alimentação saudável faz parte da
proposta da Secretaria de Educação. Porém, aqui na escola, percebemos a resistência
de alguns alunos para ingerir determinados grupos de alimentos. Então, fomos
além. Envolvemos os pais e responsáveis na construção de uma alimentação
saudável e ainda adaptamos uma sala, através de parcerias com a comunidade,
para desenvolver as receitas. O espaço foi equipado com alguns
eletrodomésticos, armários, quadro de receita e pia adequada à altura das
crianças a fim de permitir que eles próprios higienizem as verduras, legumes e
frutas”, detalhou Luciana.
A
orientação sobre os benefícios da alimentação saudável fica por conta da
nutricionista Nathália Soares Queiroz Santos, do Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde
da Família), com apoio do estagiário do UBM José Leite Nader Melo, por meio do
Programa Educação e Saúde. “No início do ano realizamos uma reunião com os pais,
onde apresentamos duas cestas com vários produtos no valor de R$ 20. Uma contendo
biscoitos recheados, sucos industrializados, miojo, salgadinhos de pacote e embutidos. E outra, com macarrão, fubá,
frutas, verduras, legumes, temperos naturais como alho, cebola, salsinha e
cebolinha. Mostramos a eles que é possível uma alimentação saudável, com comida
de verdade, utilizando o mesmo valor financeiro gasto na compra de produtos rotulados.
O passo seguinte é o desenvolvimento da antropometria junto às crianças,
processo capaz de detectar doenças provocadas pelo
fator peso, como a desnutrição, diabetes, cardiopatias e hipertensão arterial
sistêmica”.
A
partir daí, a nutricionista começa efetivamente a conscientização alimentar com
as crianças. Para se ter ideia, em uma das receitas elaboradas na Cozinha
Experimental, Nathália orientou os alunos no preparo do sanduíche natural,
utilizando os seguintes ingredientes: sardinha (rica em ômega 3, gordura poli-insaturada, importante para o bom funcionamento
do coração e do cérebro); alface, cebolinha e salsinha (fonte de ferro); tomate
rico em licopeno, e cenoura rico em betacaroteno, fonte de vitaminas A e C,
favorecem a visão e o coração); beterraba (ferro e cálcio, eficaz no combate a
anemia) e pão de forma (fonte de energia). O suco de laranja com couve
acompanhou a receita e combinou a vitamina C com o ferro. “É uma grande
oportunidade de trabalhar com eles não somente as questões relacionadas à boa
alimentação, como também noções de higiene, no momento em que eles protegem os
cabelos para que não caiam sobre a alimentação, na lavagem das mãos e dos
ingredientes e na manutenção do espaço sempre limpo e organizado”, disse a
Nutricionista, que não economiza talento e ainda adapta músicas no violão para
ajudar na fixação do aprendizado.
A
diretora geral da escola Ana Paula Chaves e a orientadora educacional Dirlea de
Castro afirmaram que, de maneira lúdica, as crianças assimilam novos conteúdos,
entre eles a noção de peso, volume, segurança,
higiene alimentar e nutrição. “Os alunos desenvolvem novas habilidades, um aprendizado progressivo que favorece na adaptação das
mudanças contínuas da atividade cognitiva”.
Depois de participarem ativamente do preparo das receitas, os
alunos relataram sem qualquer dúvida que o momento mais gostoso do Projeto
Cozinha Experimental acontece na hora da provar os alimentos. “É tudo muito
bom”, disseram.
Alerta para os alimentos
industrializados
A
população, de acordo com a nutricionista Nathália Soares, está consumindo cada
vez mais produtos industrializados. “O cotidiano corrido tem feito com que as
pessoas descasquem menos e desembalem mais, provocando um aumento significativo
no percentual de cidadãos com excesso de peso. A situação é agravada pela falta
da pratica de atividade física. O consumo desse tipo de alimento pode ser prático, mas não é nada nutritivo e pode
custar caro no futuro”, ressaltou.
O consumo de alimentos industrializados traz uma sobra de
energia calórica e pouca nutrição ao organismo. Um dos grandes vilões é o refrigerante.
Uma lata da bebida por dia, ao longo de doze meses, pode resultar em cerca de oito
quilos a mais na balança, considerando apenas o consumo de refrigerantes entre
os industrializados.