Denúncias anônimas sobre abusos cometidos contra crianças e adolescentes devem ser feitas para o Conselho Tutelar, através do telefone 3322-1029 ou pelo Disque 100

O Conselho Tutelar de Barra Mansa, com apoio do Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social, órgão vinculado a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos), está intensificando as ações de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A iniciativa visa mobilizar a sociedade para o engajamento contra a violação dos direitos sexuais dos jovens.

Dados do Conselho Tutelar apontam que em 2017, foram registrados no município 46 casos de abuso sexual, sendo 30 deles envolvendo crianças com até 11 anos e 11 meses de idade e outros 16, contra adolescentes com idade entre 12 e 18 anos. Em 2018, esses números subiram para 45 casos. Deste total, 19 foram de abusos sexuais e sete de exploração sexual. Até a primeira quinzena de maio deste ano já são 13 os casos registrados; oito de abuso sexual em crianças, um de estupro de vulnerável e quatro de abuso sexual contra adolescente.

A conselheira Marinilda da Silva Lopes disse que esses números ainda não são realidade, já que vários casos não chegam ao conhecimento do órgão e, portanto, não são contabilizados. “Sabemos que muitas pessoas se calam diante do abuso de crianças e adolescentes por medo de se envolverem no problema. Mas, com apenas uma ligação telefônica para o Disque 100 é possível estar livrando esse jovem ou criança das mãos do abusador. É importante ressaltar que o nome do denunciante é mantido em total sigilo. O Conselho Tutelar também recebe as denúncias através do telefone 3322-1029”, enfatizou.

 A secretária de Assistência Social, Ruth Coutinho alertou que 70% dos casos são praticados por familiares ou pessoas próximas da criança e do adolescente. “Por isto, é de extrema importância à orientação com frequência dos jovens. É dever dos pais transmitir informações aos filhos para que não deixem ninguém tocar em suas partes íntimas, não aceite convite para assistir filmes impróprios a sua idade e também para o ato de se despir na frente de outras pessoas”, detalhou a secretaria.

O coordenador do Creas, Célio Carlos de Oliveira, afirmou que o abuso e a exploração sexual é um crime que precisa ser combatido. É preciso ter clareza que a função do adulto, principalmente aqueles que estão próximos desses jovens, é proteger. “Quando essa pessoa esquece sua atribuição e comete abuso de poder, gera na criança e no adolescente uma série de traumas de ordem sexual e de ordem depressiva relacional e de autoestima. Por isso, nosso foco é conscientizar a população de que ela não pode ser omissa e precisa denunciar esses casos e os pais precisam conversar sobre o assunto com seus filhos, orientando para que os abusadores não perpetuem suas ações e façam mais e mais vítimas”, disse Célio.

Estatísticas do Disque 100 dão conta que 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas, contra 16,52% dos meninos. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%. A maioria dos casos (40%) ocorre com crianças entre 0 a 11 anos, seguidas por 12 a 14 anos (30,3%) e de 15 a 17 (20,09%). A maioria dos agressores são homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%).