Ato
teve a finalidade de mostrar a população o estrago que haverá na vida dos
trabalhadores caso a Reforma Previdenciária seja aprovada
Diretores do Sindicato dos
Bancários do Sul Fluminense, em parceria com membros de outras entidades
sindicais e movimentos populares da região, participaram na manhã desta
quarta-feira, em Volta Redonda, do Dia Nacional de Luta contra a Reforma da
Previdência, proposta pelo governo federal. O movimento acontece em todo o país
e, na nossa região, contou com a realização de passeata na Avenida Amaral
Peixoto, concentração e fala dos participantes na Praça Juarez Antunes, na Vila
Santa Cecília. Paralelo a manifestação, o sindicato atrasou em uma hora a
abertura de algumas agências bancárias da cidade de Porto Real e Volta Redonda.
Segundo o presidente da
entidade sindical, Péricles Lameira, o Cabral, a iniciativa teve a finalidade
de mostrar a população o grande estrago que haverá na vida dos trabalhadores,
caso a Reforma Previdenciária seja aprovada. “Enquanto propõe que o brasileiro
trabalhe por mais tempo para se aposentar, contribuindo ininterruptamente com a
previdência por 49 anos, o governo ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados
por algumas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado
déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria
Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma de Michel
Temer. O presidente fala em déficit na previdência, no entanto não leva em
consideração que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições
previdenciárias ajuda a aumentá-lo. A maior parte dessa dívida está concentrada
na mão de poucas empresas que estão ativas, como o Bradesco, Marfrig, JBS e
Vale’’, detalhou Cabral.
O Sindicalista ainda disse
que ao longo de 2017 as lutas deverão ser ampliadas. ‘‘São momentos nos quais
temos a oportunidade de informar e mobilizar os trabalhadores para protestar
contra as medidas retrógradas do governo de Michel Temer (PMDB). Neste mesmo
contexto, estamos realizando audiências públicas, assembleias, panfletagens e
veiculando propaganda na TV Band Interior como forma de alertar a classe
trabalhadora e toda a sociedade para os prejuízos que a Reforma da Previdência
pode provocar. Estamos lutando contra estas reformas perversas e cruéis que o
governo quer impor’’, disse Cabral, ressaltando que a tarde os sindicalistas se
juntariam a grande manifestação na Candelária no Rio de Janeiro.
Se a Reforma da Previdência
for aprovada os trabalhadores brasileiros terá que enfrentar as seguintes
situações: idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem e
contribuição de 49 anos ininterruptamente para alcançar benefício integral. No
caso de morte do contribuinte do INSS, a pensão para a viúva passa ser de 50%
do valor da aposentadoria do falecido, mais 10% por dependente. Se o viúvo for
se apontar terá que optar por um dos benefícios.
Para as mulheres, a reforma
é ainda mais cruel, pois não leva em consideração a tripla jornada de trabalho
a que são submetidas na sociedade. Mesmo com a entrada feminina no mercado de
trabalho, o espaço doméstico e seus afazeres, continuam sendo assumidos muito
mais pelas mulheres. Esta constatação levou a constituição de 88 a assegurar
que as mulheres tivessem uma aposentadoria diferenciada, com menor tempo de
serviço.
São as mulheres que mais
adoecem com patologias relacionadas ao trabalho porque são submetidas a
condições que as fazem atuar além dos seus próprios limites. É desconsiderar
também particularidades biológicas: a mulher menstrua, engravida, amamenta,
fica na menopausa. Isso por si só já sobrecarrega mais o corpo feminino. Se
essa reforma for aprovada, a trabalhadora rural voltará praticamente ao regime
de escravidão.