12188265_10203930100207937_2136119297_nNo último domingo (26/10), 7,5 milhões de estudantes fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os avanços obtidos nos últimos anos são enormes. O Enem transformou seu método de avaliação do conhecimento, agora mais voltado a capacidade interpretativa dos estudantes e não a quantidade de conteúdos decorados.
Essa mudança buscou dar mais igualdade de oportunidades combatendo a fábrica de cursinhos privados que privilegiam os estudantes que podem pagar. Além de se transformar como uma porta de entrada das universidades, o Enem favorece o estímulo ao intercâmbio acadêmico, o financiamento estudantil e acesso ao ensino técnico.

Ao colocar o tema da violência contra a mulher no seu tema de redação, o Enem pôs milhões de jovens brasileiros para refletirem sobre o machismo, a desigualdade de gênero e os dados alarmantes que assolam as mulheres no Brasil. Isso sim é educação contextualizada com a realidade, em defesa das pautas sociais, da cidadania e dos direitos humanos.
O Enem 2015 mostrou a importância que tem o sentido da Pátria Educadora para uma agenda de consolidação de uma agenda que assegure uma sociedade igualitária e sem violência. 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014). 
Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%).
As políticas educacionais dos governos Lula e Dilma foram eixos fundamentais da redução das desigualdades e a ascensão social de 40 milhões de brasileiros. Foram muitas famílias que tiveram pela primeira vez um membro com ensino superior.
Criado em 2010, o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), possibilita os estudantes concorrerem a vagas em universidades públicas em todo país, facilitando muito o acesso, já que anteriormente cada universidade tinha seu processo seletivo, impossibilitando o acesso da grande maioria dos jovens as vagas disponíveis.
De 2010 a 2014, houve um crescimento de 258% de vagas disponíveis e um crescimento de 1,6 milhões para 5 milhões de estudantes participantes. Outro mecanismo fundamental voltado a democratização foi a lei de cotas, permitindo maior equidade e inclusão de setores historicamente excluídos, especialmente o povo negro.
Essa mobilidade acadêmica dos estudantes pelo Brasil exigiu a expansão da política de assistência estudantil, que hoje investe 750 milhões anuais em bolsas e auxílio moradia, mas que certamente exigirá mais investimentos para dar resposta a uma demanda crescente.
A política de expansão foi assentada na criação do Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), criado em 2007, promoveu a expansão do acesso ao ensino superior. De 2007 a 2011, as federais aumentaram em 63,7% o número de vagas oferecidas. As vagas passaram de 159.448 a 261.090 postos, segundo o Censo da Educação Superior.
Outras oportunidades educacionais foram disponibilizadas com a criação do Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferta bolsas de estudo em universidades privadas e a expansão do ensino técnico seja via a expansão das escolas federais com a criação de mais de 214 novas unidades e com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) responsável pela formação de 8 milhões de estudantes.
O conjunto destas políticas garantiram uma juventude mais escolarizada e capaz de colaborar com um projeto de desenvolvimento nacional inclusivo e sustentável. Essa política combateu desigualdades regionais, de gênero e raciais. Durante toda a história do país o acesso a educação sempre se constitui como privilégio das classes altas. O Governo Federal não apenas diminuiu o analfabetismo, como também assegurou que jovens pobres, do campo e das periferias pudessem sonhar com o acesso ao ensino superior ou técnico. A ampliação das oportunidades educacionais foi certamente uma das principais conquistas civilizatórias do país.