Novos dados mostram que ganhos de 126 magistrados ultrapassaram R$ 100 mil em janeiro
Rio - Os supersalários dos juízes do Rio, revelados nesta quarta-feira pelo DIA
, poderão ser investigados pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Ainda nesta quarta, o deputado Paulo Ramos (Psol) entrou com pedido de
abertura de uma CPI sobre o tema e já conseguiu 25 assinaturas. Pelo
regimento, são necessárias apenas 24. Agora, o requerimento precisa ser
publicado no Diário Oficial pelo presidente da Alerj, Jorge Picciani
(PMDB) para a CPI ser aberta.
Conforme a reportagem mostrou, mais de 90% dos
magistrados ultrapassaram o limite do teto salarial permitido pela
Constituição Federal, de R$ 33,763 mil — salário dos ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF), nos três primeiros meses do ano.
Gil
Castelo Branco, fundadador da ONG Contas Abertas: “Estes salários podem
ser permitidos por lei, mas nem tudo o que é legal é moral”
Foto: Divulgação
Na tarde de quarta, O DIA
apurou mais uma novidade: em janeiro, 126 magistrados ganharam mais do
que R$ 100 mil e 232 receberam acima de R$ 80 mil. Um desembargador
chegou a faturar R$ 244.823 mil. A maioria dos supersalários do TJ
ocorreu por conta da venda de férias e/ou licenças especiais. Graças à
uma lei estadual, os magistrados podem vender as férias, dais quais têm
direito a tirar 60 dias por ano.
Os demais aditivos foram
acrescentados aos salários por conta de ajudas de custo para transporte,
mudança e alimentação, gratificações por dar aulas, auxílio-moradia,
acumulação de cargos, entre outros. Os salários iniciais de um
desembargador e de um juíz, sem nenhum aditivo, são R$ 30.471 e R$
27.500, respectivamente.
Na semana passada, O DIA
noticiou que uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE)
constatou que 17 desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro receberam indevidamente salários acima do teto em 2013.
Para o deputado Paulo Ramos, a Alerj não pode
ficar muda diante deste quadro. “Depois dos supersalários divulgados
pelo DIA
e deste relatório do TCE, temos que investigar de onde vieram estes
valores e cobrar um posicionamento do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ)”, disse o deputado.
Deputado Paulo Ramos : autor do pedido de CPI dos Supersalários
Foto: Divulgação
Paulo Ramos também enviou um
requerimento de informações ao presidente do TCE, Jonas Lopes,
solicitando cópia do relatório dos supersalários. Nele, os auditores
afirmaram que juízes teriam recebido benefícios irregularmente e acima
do teto constitucional.
Nem tudo que é legal é moral
O fundador da ONG Contas Abertas e economista
Gil Castelo Branco considera “absolutamente inconcebível” sob o ponto de
vista ético que existam remunerações do Judiciário do Rio até sete
vezes maiores do que os ministros do supremo. “Estes salários podem ser
permitidos por lei, mas nem tudo o que é legal é moral. Cabe ao STF
cassar este rol de penduricalhos que mantém estes verdadeiros marajás da
Justiça estadual”, disse.
Para o economista, deve ser feito uma
reestruturação nas folhas de pagamentos dos juízes adequando-as a
realidade do país. “Estes auxílios incorporados aos salários dos juízes
criam valores absurdos, destoantes do que recebem a maioria dos
funcionários públicos”, afirmou.
Já o coordenador da ONG Meu Rio, João Senise,
argumenta que a população não é obrigada a arcar com as despesas
particulares dos magistrados, como auxílio-educação. “Não temos que
pagar a educação privada de ninguém, muito menos dos filhos dos juízes e
desembargadores que recebem R$ 70 mil por mês. A justificativa deles é
que a fonte desses recursos são as custas processuais, mas elas são
pagas pelos próprios cidadãos”, defendeu.
A advogada Luciana Gouvea, que defende
pensionistas na Justiça, afirma que o teto salarial vale apenas para os
cidadãos comuns. “É muito chato dizer para o meu cliente que o Estado
não pagará o valor devido porque ultrapassa o teto, mas que o juiz que
está julgando o caso pode ultrapassá-lo”, criticou.http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-06-04/deputados-querem-cpi-para-apurar-supersalarios-de-juizes.html