A redução no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) este ano deverá
promover mudanças nas estratégias das escolas particulares de ensino
superior, que terão de se ajustar à diminuição da quantidade de alunos
matriculados com o financimento do fundo. O assunto foi debatido durante
o 8º Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, que começou
ontem (14) e prossegue hoje (15), no Rio. As informações são da Agência
Brasil.
O secretário-executivo do congresso e presidente da Associação
Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Gabriel Mario
Rodrigues, disse que o momento é desafiador, mas que é possível
encontrar alternativas. “Para cada desafio, as instituições precisam
encontrar soluções. As grandes estão procurando encontrar mecanismos de
financiamento próprios. As pequenas também devem encontrar caminhos para
sobreviver. Nós estamos em um momento de adaptação e acredito que, se
houver harmonia entre as instituições e o governo, para ajustar a melhor
maneira onde possam ser feitas correções no Fies, vamos encontrar
solução”.
Ele ressaltou a confiança nos esforços do ministro da Educação,
Renato Janine, que vem negociando, com as áreas econômicas do governo, a
obtenção de mais recursos para reabrir o Fies nos próximos meses. “O
ministro está sensível ao problema. Ele é da área. Mas nós precisamos
ver a situação [difícil] do Brasil. Eu acredito que teremos soluções
onde a iniciativa privada e o governo encontrem um caminho para
proporcionar financiamento a quem precisa. A presidenta Dilma deve lutar
de todas as formas e o governo vai encontra solução para isso, de dar
oportunidade de estudar ao aluno sem recursos.”
A redução no financiamento por meio do Fies atinge principalmente as
pequenas instituições de ensino superior, muitas delas localizadas em
cidades do interior, onde representam importantes pólos de ensino e
tecnologia. É o caso do Centro de Ensino Superior de Catalão, em Goiás,
que tem 2.200 alunos, em nove cursos. Para o diretor da instituição,
Paulo Antônio Lima, a indefinição pode custar o equilíbrio financeiro da
escola.
“É um momento muito difícil para as instituições pequenas. Porque nós
estamos vindo de um semestre passado no qual o aluno que prestou o
processo seletivo com intenção de cursar este semestre imaginava que
teria facilidade para conseguir o Fies. Quando ele entrou, ocupou uma
vaga, descobriu que não conseguiu o Fies. Este aluno vai concluir o
semestre, vai deixar a escola, inadimplente ou adimplente, e vai deixar
uma vaga ociosa”, disse o diretor do centro de ensino, que tem 25% de
seus alunos matriculados por meio do Fies.
O Ministério da Educação (MEC) foi representado no congresso pela
secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Marta Wendel
Abramo. Ela destacou que as metas de aumentar o número de estudantes de
ensino superior no país só serão atingidas com a colaboração dos setores
público e privado.
“A gente tem metas muito ousadas na expansão do ensino superior. O
Plano Nacional de Educação previu que até 2024 pelo menos 50% da
população [entre 18 e 24 anos] estejam no ensino superior. Isso vai
demandar um grande esforço ainda. Ainda temos o desafio de levar essa
educação para segmentos da população que ainda têm dificuldades de
acesso ao ensino superior. E para isso vamos ter que contar com a
colaboração de todos os atores. Não só os atores públicos, como o
governo, mas inclusive o setor privado. Buscando uma sintonia de todas
as áreas.”
Outras informações sobre o congresso podem ser acessadas na página do
evento na internet (www.cbesp.com.br) ou na página da ABMES
(www.abmes.org.br).http://diariodovale.com.br/educacao/universidades-particulares-buscam-alternativas-a-reducao-no-fies/