azer sinal com a mão para pedir um táxi anda fora de moda, já que os
aplicativos de celular estão com a popularidade nas alturas. Mas esse
tipo de serviço pode estar com os dias contados. Denúncias de assédio
sexual por parte de passageiras, entre outras irregularidades, estão na
mira da Assembleia Legislativa (Alerj), que criou o telefone 2588-1200
para receber informações sobre transportes.
Carlos Santa Brígida é contra os apps
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
“Várias mulheres que pediram carro
através de aplicativos contaram que, após a corrida, receberam
telefonemas, na maioria das vezes com uma conversa fiada, elogiando a
beleza. Um cliente não pode passar por esse dissabor”, afirma o deputado
Dionísio Lins (PP), vice-presidente da Comissão de Transportes da
Alerj.
Ele é autor do projeto de lei que
proíbe o transporte coletivo e remunerado de passageiros em carros
particulares que estejam cadastrados em aplicativos. “Quero acabar com
essa farra. O meu protesto é contra o uso indevido da profissão de
taxista. Muita gente usa o aplicativo pensando que vai ser atendido por
um permissionário e acaba sendo transportado por um táxi pirata ou por
um carro particular. É uma concorrência desleal e que mexe com a
segurança dos passageiros”, afirma.
Segundo ele, com a aprovação da lei,
acabam os aplicativos e ficam as cooperativas tradicionais devidamente
legalizadas. “Sabemos que permissionários foram obrigados a se adaptar
aos aplicativos porque estavam perdendo muitos clientes, mas o meu
protesto é contra a concorrência desleal e a favor da segurança”,
enfatiza.
Paulo Junior, de 40 anos, há seis na
praça, é a favor da nova ferramenta. “Minha renda praticamente dobrou
com a entrada dos aplicativos. Eu trabalho com três (99, Easy Táxi e
Wappa) e também faço parte de uma cooperativa (Servimar). Táxi pirata
sempre existiu”, diz. Já Carlos Santa Brígida, 57 anos e 32 trabalhando
como taxista, prefere não usar os aplicativos. “O problema é que quando a
gente chega para pegar o passageiro, ele já foi embora. Acho que os
aplicativos atrapalham o taxista. Prefiro pegar o passageiro na rua”,
explica.
O projeto de lei ainda prevê a preservação do
número de telefone do cliente. “As cooperativas serão as responsáveis
por entrar em contato com o passageiro, não o motorista. O cliente paga
pelo serviço e tem o direito de ter a sua privacidade preservada”,
afirma o deputado. Hotéis que oferecem transporte ilegal aos seus
hóspedes também estão na mira da Alerj. “Pessoas compram um carro de
luxo e passam a fazer parceria com a rede hoteleira, que fica com 40%,
50%, do valor das corridas. Isso é um desrespeito”, diz.
Amanhã serão recolhidas assinaturas dos
deputados para que o projeto seja votado em regime de urgência. “Após a
aprovação e a sanção do governador Pezão, vou exigir o cumprimento da
lei. A fiscalização terá que ser eficaz para que todos tenham mais
segurança”, conclui Lins. http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-05-24/projeto-de-lei-pode-dar-fim-aos-aplicativos-de-taxi.html