Promotores de Justiça e assistentes sociais defenderam hoje (10) a
aplicação de medidas socioeducativas mais eficazes no tratamento de
jovens em conflito com a lei. Eles argumentaram que as instituições
assistenciais do país estão em estado precário, e a legislação, como o
próprio Estatuto da Criança e do Adolescente e a lei que institui o
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, incentivam a punição
cada vez mais precoce desses jovens.
O promotor de Justiça do Rio Grande do Norte, Marcus Aurélio de
Freitas Barros, revelou que quando avalia a inexistência de medidas mais
efetivas, reforça ainda mais a sensação de impunidade vivida pela
sociedade. "A falta de medidas favorece um discurso emocional na redução
da maioridade penal, quando, na verdade, não temos, nem nunca tivemos,
no Brasil, nenhuma experiência de funcionamento efetivo de um sistema
educativo nos moldes em que têm que funcionar", destacou.
Marcus Aurélio citou, como exemplo, a falta de compromisso político
nos trabalhos de reintegração social dos adolescentes, pelas casas de
internação e ressocialização. Segundo ele, o problema maior na áerea era
de carência de recursos humanos, e na tentativa de corrigir essa lacuna
houve uma instrumentalização político-partidária das instituições. "Os
cargos eram nomeados por políticos, os psicólogos e assistentes sociais
só permaneciam por dois anos nas instituições, porque eram cargos
comissionados. Não havia atividade socioeducativa", disse.
As afirmações foram feitas no Segundo Congresso Nacional do
Ministério Público da Infância e da Adolescência, em Brasília, para
discutir os problemas das unidades de internação e as alternativas na
aplicação de medidas socioeducativas, na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.
As opiniões também são compartilhadas pela secretária nacional de
Assistência Social, do Ministério do Desenvolvimento Social, Ieda
Castro. Ela compreende os jovens até 18 anos como indivíduos que devem
ser acolhidos pela família, sociedade e pelo Estado. "Nós precisamos dar
todo apoio para que as crianças e adolescentes se desenvolvam de forma
integral. Quando eles cometem um ato infracional é preciso que sejam
dadas oportunidade a eles", disse.
Ieda ressaltou que há um entendimento equivocado sobre causas e
efeitos que tangem o universo da violência no Brasil. "Não são os
adolescentes que estão tornando a sociedade um ambiente violento. Na
verdade, eles também são vítimas dessa sociedade violenta. Muitos desses
meninos e meninas viveram experiências de abandono e negligência por
parte do Estado", completou. http://www.folhadointerior.com.br/v2/page/noticiasdtl.asp?t=MPF+ESTUDA+MEDIDAS+DE+RESSOCIALIZA%EF%BF%BD%EF%BF%BDO+MAIS+EFICAZES+PARA+JOVENS+INFRATORES&id=77401#.VSghyVbJ_jU.facebook
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