O ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva afirmou que a classe trabalhadora não pode
permitir a aprovação do projeto de lei que revê os critérios da
terceirização no país para evitar que "as empresas passem a utilizar mão
de obra quase escrava como no século passado".
Lula participou junto ao ator e ativista sindical americano Danny
Glover do 9º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), onde disse que a luta contra esse projeto é "uma
questão de honra" para a classe trabalhadora.
A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o texto-base de uma
lei que amplia para todos os setores da economia a terceirização do
emprego, autorizando as empresas a contratarem prestadores de serviço,
inclusive, para desenvolver suas atividades-fim.
Uma emenda aprovada nesta
terça-feira pelos deputados, no entanto, proibiu que as empresas
públicas e as sociedades de economia mista, como a Petrobrás, possam
contratar terceirizadas em atividade-fim.
Até então, a terceirização é autorizada apenas para atividades não
específicas das empresas contratantes, como serviços de limpeza,
transporte e segurança.
"A conquista dos direitos trabalhistas foi conseguida com muita luta.
Com certeza algum deputado não deve saber disso", disse Lula,
defendendo uma discussão ampla sobre o projeto de lei, algo também já
proposto pela presidente Dilma Rousseff.
"Evitar a aprovação do projeto de lei é exigir que o Congresso
respeite as conquistas históricas da nossa classe trabalhadora",
ressaltou o ex-presidente.
Lula também falou sobre o escândalo de corrupção na Petrobras, com o
envolvimento de vários políticos, a maior parte da base aliada, e pediu
que o PT pare de ser "criminalizado".
"Perguntem a qualquer promotor se houve algum outro momento da
história em que se criaram tantos instrumentos de investigação e luta
contra a corrupção como nos 12 anos de governo do PT", afirmou o
ex-presidente.
"Vamos investigar de verdade as finanças de cada partido político e
tentar de tentar criminalizar o PT, que não é formado por um ou dois
deputados, mas tem muitos milhões de pessoas", defendeu.
Glover também criticou a terceirização, se referiu a Lula como
"herói" e pediu ao movimento sindical para não esquecer "o tema racial
para poder curar as cicatrizes do povo afrodescendente".
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