Alyne Coelho, 17, sai todos os dias de Águas Lindas (GO) para estudar
na Asa Norte, no Distrito Federal. São cerca de 50 km de distância, duas
horas de ônibus. Ela sai de casa às 5h e volta apenas meia noite. Todo o
esforço é por um sonho: estudar terapia ocupacional na UnB
(Universidade de Brasília). Alyne e outros 55 estudantes fazem parte do
projeto Galt, um cursinho pré-vestibular gratuito para alunos de baixa
renda.
Os idealizadores do projeto são Rubenilson Cerqueira, 25, e Priscila
Dalledo, 27, ambos formados pela UnB. Além deles, há 23 professores
envolvidos, todos voluntários. "Sempre estudei em escola pública e sei
das dificuldades que os alunos sofrem. Muitos deles chegam aqui sem
nenhuma base, mas, com muito esforço e dedicação, conseguem alcançar o
nível superior. Essa é a nossa recompensa", conta Rubenilson, que
estudou relações internacionais.
Na sala de aula, dez alunos querem cursar medicina. Mylena Ribeiro, 17,
e Victor Enedina, 18, são alguns deles. "Quero trabalhar na área
pública para ajudar as pessoas que realmente precisam. Vou cursar meu
primeiro vestibular no meio do ano, se não passar, vou tentar até
conseguir", conta a moradora de Ceilândia, Mylena.
Victor já cursa enfermagem em uma faculdade particular com bolsa do
Prouni (Programa Universidade para Todos), mas sonha estudar medicina.
"Deixei de treinar natação, ir ao cinema, festas e frequentar as aulas
de inglês. Até namorar ficou difícil", disse.
Esforço é a diferença
Segundo a professora de literatura Priscila, a diferença entre os
alunos do Galt para os demais é basicamente o esforço e foco dos
estudantes. "A maioria mora longe, faz estágio e mesmo assim não
desiste. Eles fazem jus ao nosso tempo doado. Os sonhos deles viram os
nossos".
As aulas acontecem de segunda a sexta-feira de 18h15 às 22h e no sábado
de 9h às 13h45. Há apenas uma turma e a maioria dos jovens têm entre 17
e 19 anos. Parte deles trabalha para ajudar a família.
Para aproveitar as aulas gratuitas, Edlla Souza, 18, deixou a família
em Valparaíso (GO) para morar na casa de amigos no DF durante a semana.
Isso tudo para ficar mais perto do colégio e ter mais tempo para
estudar. "Já passei no curso de filosofia pela UnB, mas sonho em cursar
arquitetura e urbanismo. Quero dar uma vida melhor para os meus pais",
conta.
Vagas disputadas
Para frequentar o cursinho é preciso ter estudado em escola pública ou
ser bolsista integral de um colégio particular. Após a inscrição, os
estudantes participam de duas etapas: uma prova escrita com redação e
uma entrevista. A turma de 2015 é a primeira do projeto e atualmente há
50 estudantes na lista de espera.
Além do trabalho dos professores voluntários, o projeto só existe graças a doações, que podem ser feitas no site da instituição.http://vestibular.uol.com.br/noticias/redacao/2015/04/07/ex-alunos-da-unb-criam-pre-vestibular-gratuito-para-ajudar-jovens-no-df.htm