Pressão popular faz partidos fecharem acordo e aceitarem emenda que retira do projeto dispositivo que preocupava concurseiros, conforme O DIA revelou sábado
Os
concurseiros de plantão podem respirar aliviados em relação ao risco de
empresas públicas da União, estados, municípios e do Distrito Federal
terem todas as suas atividades terceirizadas, como previa o Projeto de
Lei 4.330/04. Ontem, diante da pressão popular, a Câmara dos Deputados
aprovou a retirada da regra que abria possibilidade de se ter mão de
obra contratada sem concursos públicos em estatais como o Banco do
Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras, os Correios e o BNDES,
entre outros órgãos. A proposta saiu do texto após o placar de 360 votos
favoráveis, contra 47.
Técnico
de telecomunicações terceirizado, Mário Sérgio Ferreira sente na pele e
no bolso as consequências do modelo de contratação
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Conforme O DIA informou no último
sábado, especialistas em concursos avaliaram que o projeto iria ferir o
chamado princípio da meritocracia, por permitir que funcionários
entrassem no serviço público sem passar por seleção. A iniciativa
contraria as determinações da Constituição. O princípio da
impessoalidade também estaria comprometido.
FALTAM 23 EMENDAS
Devido ao número de emendas apresentadas ao
texto-base do PL 4.330 na semana passada, acordo entre líderes na Casa
remarcou a votação das propostas para hoje. O pedido foi atendido pelo
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os 23 destaques serão
analisados, a partir das 16 horas. Ontem, apenas um deles foi votado,
justamente o que permitia a terceirização de trabalhadores em empresas
públicas.
“Em função do número elevado de destaques
apresentados, o que causa confusão em relação aos seus conteúdos, é mais
prudente que continuemos amanhã (hoje) para votar os destaques com mais
consciência”, reconheceu Cunha.
A decisão de retirar as empresas da
administração pública do texto também contou com apoio do relator do
projeto que amplia as terceirizações a qualquer área das empresa,
deputado Arthur Maia (SD-BA). Segundo o deputado Domingos Sávio
(PSDB-MG), a intenção é manter o concurso público como uma prerrogativa
de ingresso na carreira das empresas públicas e sociedades de economia
mista.
O técnico de telecomunicações Mário Sérgio
Ferreira, 26 anos, é contra a proposta que precariza as relações de
trabalho. Por ser funcionário de uma empresa terceirizada, ele sente na
pele e no bolso as consequências do modelo de contratação. O trabalhador
defende que a contratante deveria se mostrar mais presente e ser
responsabilizada pelas condições de trabalho. “Trabalhamos sem condições
ideais. Muitas vezes corremos risco pelo fato de não termos treinamento
adequado”, contou.
Sessão suspensa durante análise de quarentena
As discussões no plenário foram suspensas
quando estava em debate uma das emendas apresentadas na semana passada. A
proposta diminui, de 24 para 12 meses, o período de quarentena em que
uma empresa de terceirização não pode fechar contrato com outra firma em
que trabalharam os antigos donos ou os sócios eram empregados.
A emenda em questão, uma das 24 apresentadas,
também determina que, nos contratos de terceirização de mão de obra não
sujeitos à retenção na fonte de 11% da fatura — prevista na Lei 8.212/91
para serviços de limpeza ou segurança, por exemplo — ou às alíquotas
relativas à desoneração da folha de pagamentos, a contratante será
obrigada a reter o equivalente a 20% da folha de salários da contratada.
O valor será descontado da fatura apresentada.
Outra mudança feita por este emenda diminui
ainda o recolhimento antecipado do Imposto de Renda na Fonte de 1,5%
para 1% para empresas que oferecem serviços terceirizados de limpeza,
conservação, segurança e vigilância.
Centrais prometem dia de protestos
Em todo o país, as principais centrais
sindicais, como a CUT, CTB, NCST, Intersindical e Conlutas, e outras
entidades dos movimentos populares prometem promover hoje manifestações e
paralisações contra a aprovação do PL 4.330/04, que libera
terceirização no mercado de trabalho.
No Rio, está marcado um cortejo fúnebre a
partir das 16h. O manifesto começa na Cinelândia e seguirá até a sede da
Federação das Indústrias do Rio (Firjan), onde ocorrerá o enterro
simbólico da carteira de trabalho.
Em São Paulo, atos estão agendados em fábricas e
na porta de bancos no Centro. Haverá concentração em frete à sede da
Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
Segundo os organizadores, uma das formas das
manifestações será o atraso dos trabalhadores para entrar nas fábricas,
no comércio, nos bancos por causa das assembleias.
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o
importante é que todos os sindicatos filiados às centrais que são contra
o projeto da terceirização que, segundo ele, retira direitos da classe
trabalhadora, coloquem as suas estruturas e sua capacidade de
mobilização a serviço do protestos.
“Todas as nossas entidades têm de convocar,
realizar algum ato, alguma manifestação. É nossa responsabilidade,
porque estamos diante de um forte ataque do Congresso Nacional aos
direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, disse.http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2015-04-15/concursos-ficam-de-fora-da-lei-que-amplia-terceirizacao.html