O tema deste ano é "O Jovem e o Rádio" que tem como foco a inclusão, os desafios, as oportunidades e o futuro dos jovens.
Discussão
A Unesco acredita que o mais importante
não é direcionar a discussão, mas sim, perguntar aos jovens o que é
importante para eles.
Para marcar a data, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a Rádio ONU transmite milhares de notícias por ano.
Ban disse que o rádio é um importante meio de comunicação para 1,8 bilhão de jovens em todo o mundo.
Segundo Ban, "no momento em que a
comunidade internacional prepara os novos objetivos de desenvolvimento
sustentável e um novo acordo sobre o clima, o mundo deve escutar as
vozes da juventude urgentemente".
Desemprego
A Unesco é a agência da ONU que lidera
as comemorações sobre o Dia Mundial do Rádio. De Paris, o consultor da
Unesco Leandro Pereira França, falou à Rádio ONU sobre a participação do
jovem nesse veículo. Para ele, o rádio pode servir como meio de
inclusão social também.
"A taxa de desemprego entre os jovens
chega a ser 2,8% a mais do que a da população em geral, dois-terços dos
jovens estão em situação de desemprego. E essa falta de inclusão no
mercado de trabalho também ocorre nas empresas de mídia, nos meios de
comunicação. As rádios falham, muitas vezes, em representar os jovens,
incluir mais vozes jovens em sua programação. Então, a Unesco busca
encorajar uma programação voltada para os jovens, que vá além dos
programas de música e entretenimento, que inclua os jovens como
entrevistados, como membros de suas equipes, como produtores de conteúdo
para desenvolver programas feitos por jovens para jovens."
Telefones
Um exemplo desses programas feitos pela juventude vem da Rádio Nacional de Angola.
Geração Viva é a nova proposta, é a
palavra para os jovens. Neste espaço eles falam sobre seus problemas ou,
como os angolanos chamam, de "suas makas", trocam experiências e
aprendem ouvindo opiniões de especialistas ligados aos mais variados
assuntos de interesse da juventude.
No Brasil, uma entidade privada tem se
dedicado a formação de novos profissionais, entre eles muitos jovens que
querem entrar no mercado da comunicação.
Do Rio de Janeiro, o diretor da Escola
de Rádio, Ruy Jobim, falou à Rádio ONU que, atualmente, a ligação do
jovem ao rádio tem aumentado graças também à mídia social.
"Hoje o rádio está mais ligado ao jovem e
o jovem mais ligado ao rádio através dos gadgets. Através dos
telefones, da internet e de outras plataformas nas quais o rádio pegou
carona. Nós temos o rádio FM que se adapta facilmente ao telefone
celular, já o rádio AM não teve a mesma sorte, ele ficou de lado. O que
está acontecendo é que o jovem ouve rádio, sim, mas em outras
plataformas
Para Ruy Jobim, o rádio tem vida longa
garantida como veículo de informação. "O rádio é fantástico, ainda é
muito cobiçado e é muito ouvido. Todos ainda têm um rádio, um rádio
tradicional, pela internet ou pelo celular. Então o rádio continua sendo
rádio: morrer, jamais!"
O diretor da Escola de Rádio disse que
só a tecnologia pode dizer como o rádio será daqui para frente, mas
Jobim afirmou que "aonde tiver um punhado de música, informação e
entretenimento, entrevistas e humor vai haver rádio".
Já para a Unesco, a entrada de jovens no
mercado de rádio não está livre de preocupações que a agência tem com a
segurança de jornalistas em geral.
"Outro tópico importante é a segurança
de jovens jornalistas, que muitas vezes seguem para regiões de conflito e
regiões de desastre sem treinamento, sem apoio e sem os equipamentos
necessários para mostrar o seu valor e sua competência e que podem fazer
um bom trabalho."
Pereira França disse ainda que a agência
da ONU busca promover uma discussão em torno desse assunto, fazer com
que as rádios incluam os jovens em sua programação e treiná-los para que
possam produzir programas para esse público.