A população
do Rio de Janeiro paga a maior tarifa de água entre os estados da Região
Sudeste. O preço médio praticado é de R$ 3,16 o metro cúbico. O segundo
colocado, Minas Gerais, cobra R$ 2,36. A Cedae — companhia responsável
pelo abastecimento de 83,3% da população fluminense — estabelece tarifas
diferenciadas de acordo com o consumo mensal do cliente. Quem gasta até
15 metros cúbicos (15 mil litros) em 30 dias paga R$ 2,63 na unidade de
medida. Mesmo assim, a tarifa continua sendo a mais alta do Sudeste.
Os dados do Sistema Nacional de Informações
sobre Saneamento (Snis) de 2013, divulgados na semana passada, mostram
também que a tarifa do metro cúbico da água no Rio é maior do que a
média nacional, de R$2,62. Em São Paulo, estado mais populoso do
Sudeste, a tarifa média é de R$ 2,29. No Espírito Santo, o valor é de R$
2,13.
Em São Gonçalo, moradores se uniram para comprar bomba d’água
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
O problema se agrava pelo fato de a
concessionária praticar a cobrança progressiva. Um levantamento do
Sindicato da Habitação do Rio (Secovi) aponta que entre a 1ª faixa de
consumo (até 15 metros cúbicos) e a última faixa (acima de 60 metros
cúbicos) a variação é de 700% na tarifa.
O valor é alto pela forma que a Cedae
cobra, aponta o vice-presidente do Secovi Leonardo Schneider. “Quanto
mais você consome, mais gasta, só que não é proporcional. Quando mudamos
para a segunda faixa, a conta de água fica mais cara, sendo quase o
dobro do estado que vem em segundo lugar”, explicou.
A Cedae informou que 75% dos clientes da
companhia estão dentro da faixa de consumo mínimo, que tem tarifas
reduzidas. Segundo a concessionária, os clientes que ultrapassam 15
metros cúbicos por mês são penalizados multiplicando a tarifa, para
desestimular o consumo excessivo.
O alto índice de inadimplência dos clientes da
Baixada Fluminense e de São Gonçalo é um dos fatores que pesam no
cálculo da taxa cobrada pela Cedae, aponta Marilene Ramos,
diretora-adjunta do Centro de Regulação e Infraestrutura da Fundação
Getulio Vargas (FGV). Segundo ela, a empresa precisa melhorar o seu
mecanismo de cobrança, para que os consumidores que pagam em dia não
sejam punidos.
O relatório da administração da Cedae de 2012
demonstra que 78% da receita bruta vêm dos clientes do município do Rio.
“Em contrapartida, temos Baixada Fluminense e São Gonçalo com 70% de
consumidores que não pagam as contas no prazo certo”, explica Ramos.
Outro fator que impacta na cobrança é a falta
de hidrômetros nos imóveis, que permitem maior controle dos gastos. “Ao
todo, somente 67% do contingente da Cedae têm a água devidamente medida
pelos hidrômetros. Em São Paulo, por exemplo, a taxa é de 95%. No Rio,
ainda há muita presença de penas d’água (limitador de vazão), que não
permitem o controle real dos gastos ”, disse Marilene.
A especialista acrescenta que a Cedae ainda não
está submetida a uma regulação, o que permite que a própria companhia
estabeleça as tarifas: “A partir da fiscalização haverá mais
transparência. A etapa está prevista para agosto. A supervisão caberá à
Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio
(Agenersa).
O problema de abastecimento é outro impasse
para os clientes da Cedae. Alguns que não têm água na torneira recebem
conta. Em Neves, São Gonçalo, moradores sofrem com a seca. Na Rua
Euclides Martins, a população comprou bombas para resolver o problema:
“Mesmo assim, a água quase não aparece. Muitas vezes temos que acordar
de madrugada, quando começa a cair um pouco”, relata Flávio Moreira, 46
anos. A Cedae informou que vai enviar técnicos para verificar se há
vazamento, ligação clandestina ou outro problema.http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-01-25/consumidores-do-estado-do-rio-sao-os-que-mais-pagam-caro-pela-agua.html