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Publicado em:
fevereiro 24, 2014 |
Por Johnes Hebert

A Comissão da Verdade do Rio e a
Comissão da Verdade de Volta Redonda enviaram para o Senado, por meio
do senador João Capiberibe (PSB/AP), presidente da Subcomissão da
Memória, Verdade e Justiça, ofício pedindo ajuda para abertura dos
arquivos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A empresa foi
privatizada em 1993, mas as duas comissões entendem que esse acervo deve
ser aberto ao público. O objetivo é conseguir as fichas funcionais dos
trabalhadores para traçar um panorama da controle político sobre os
funcionários da empresa.
"Ter acesso ao acervo da CSN é fundamental para os trabalhos das
comissões estadual e de Volta Redonda para termos informações sobre
militantes, não só metalúrgicos, que eram foram perseguidos. Assim,
poderemos ter uma base para a construção da memória política de Volta
Redonda. Acredito que a empresa terá essa consciência e vai liberar o
nosso acesso a esses documentos", disse o presidente da Comissão de
Volta Redonda, Alex Martins.
Para a CEV-Rio, esses documentos vão auxiliar em duas frentes de
trabalho: a que investiga a estrutura da repressão em Volta Redonda e
uma pesquisa da Faperj para a CEV-Rio. O objeto dessa pesquisa é o 1º
Batalhão de Infantaria Blindada do Exército, localizado em Barra Mansa.
Há denúncias de que o local, desativado em 1991, serviu como centro de
tortura e detenções entre 1964 e 1973.
"O senador João Capiberibe é um parceiro da Comissão da Verdade do
Rio e esteve conosco na visita ao DOI-Codi, em setembro do ano passado. A
abertura dos arquivos da repressão é de extrema importância para o
trabalho das comissões da verdade, mas as Forças Armadas, infelizmente,
não demonstraram a intenção de abrir seus acervos. Quem sabe a diretoria
atual da CSN, empresa que não é mais estatal, terá um espírito mais
democrático", comentou o presidente da CEV-Rio, Wadih Damous.
Já há fortes indícios de que a empresa teria atuado como um braço
auxiliar da repressão. No dia do golpe, por exemplo, os militares
substituíram os civis na proteção à usina siderúrgica e 92 funcionários
foram demitidos. Outro indício dessa relação estreita, entre o comando
da CSN e os militares, foi revelado em uma carta, enviada por um dos
diretores da siderúrgica, ao alto comando do Exército pedindo que os
oficiais de alta patente se mudassem para Volta Redonda para conhecer
mais profundamente os hábitos da população. A correspondência traz,
ainda, a revelação de que a diretoria da CSN teria oferecido casas a
esses militares em Santa Cecília, bairro destinado a engenheiros e
técnicos da CSN, como atrativo para a transferência
http://diariodovale.uol.com.br/noticias/2,85740,Comissoes-da-Verdade-do-Rio-e-de-VR-pedem-abertura-dos-arquivos-da-CSN.html#ixzz2uEOCfucp
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