As instituições religiosas e
políticas são as que contam com menos credibilidade entre os jovens
ibero-americanos, de acordo com pesquisa realizada pela OIJ (Organização
Ibero-Americana da Juventude) que será divulgada nesta segunda-feira
(22/07). O estudo, obtido com exclusividade por Opera Mundi, foi feito
em 20 países, com mais de 20 mil entrevistas de pessoas entre 15 e 29
anos.
Dos oito itens avaliados, apenas os governos, as
organizações religiosas e a classe política têm confiança inferior a 25%
dos entrevistados.
"Há
uma distância muito grande entre política e juventude na atualidade. O
recente desenvolvimento econômico e social da América Latina não
conseguiu mudar isso. Por outro lado, você vê a universidade como líder
absoluta em termos de imagem entre os jovens", analisa o
secretário-geral da OIJ, Alejo Ramírez, fazendo referência à instituição
com melhor índice de avaliação. Além das universidades, os meios de
comunicação e a polícia também obtiveram boas notas.
Apesar da descrença dos jovens ibero-americanos com a religião, milhões são esperados no Rio para a visita do papa
Para
Bruno Vanhoni, assessor de relações internacionais da Secretaria
Nacional de Juventude da Presidência da República, há um outro aspecto
que contribui para a descrença com as organizações religiosas. "A
juventude tem uma opinião diferente sobre a liberdade, que muitas vezes
não se encaixa nas religiões mais ortodoxas".
Uma
diferença importante entre os jovens sul-americanos e os da península
ibérica é como eles veem a melhor forma para se conseguir um bom
emprego. Para portugueses e espanhóis, a fórmula ideal ocorre por meio
de contatos sociais. Na América Latina, com exceção do México, a
educação é vista como prioritária.
"É
bem diferente se você acha que o melhor jeito para obter emprego é
estudando ou tendo contatos. Mostra o jeito da sociedade como um todo,
não só dos jovens. Achar que ter contatos é melhor mostra uma sociedade
que está se equivocando, não há meritocracia. No caso da Europa, isso
pode estar ligado à falta de boas perspectivas com a crise econômica",
afirma o argentino Ramírez.
Excepcionalidades brasileiras
Em
relação aos brasileiros, há dois traços importantes. Na comparação com
os outros países, eles aparecerem como progressistas, dando suporte ao
casamento entre pessoas do mesmo sexo e à legalização da maconha, mas
também são mais resistentes à integração regional.
"É
uma contradição. Talvez mostre que os brasileiros jogam um jogo
diferente dos demais. Se a região ibero-americana fosse um time, vocês
seriam o goleio, que pode usar a mão", brinca Ramírez. Vanhoni concorda
com o argumento do secretário-geral da OIJ e acrescenta que o governo
brasileiro tem se dedicado ao tema. "Os outros países têm uma identidade
comum devido ao idioma. Mas o Brasil está diminuindo isso aos poucos.
Principalmente nas fronteiras, já há um sentimento maior de ser
latino-americano". Site Ópera Mundi.