Se o ciclo de alta de juros continuar, como apostam os economistas, e
a taxa Selic subir dos atuais 8% ao ano para mais de 8,5% ao ano, a
poupança volta para a regra antiga e passa a ter rendimento maior que o
atual.
Com o juro de hoje, a caderneta rende 0,455% ao mês (ou 5,6% ao ano), o
equivalente a 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR), atualmente
zerada.
A regra vale para os depósitos realizados a partir de 4 de maio do ano
passado e permanece vigente até o juro básico chegar a 8,5% ao ano.
Acima desse valor, volta a regra antiga: remuneração de 0,50% ao mês (ou
6,17% ao ano) mais a TR, que deve deixar de ser zero nesse cenário.
Mesmo com a rentabilidade atual, a caderneta paga mais que a maioria dos
fundos de renda fixa considerando o ganho líquido mensal, descontados
impostos e taxas, segundo dados da Anefac (associação dos executivos de
finanças).
A principal vantagem da poupança é a isenção de Impostos de Renda, cuja
alíquota varia de 15% a 22,5% sobre o rendimento dos fundos conforme o
prazo de resgate.
Além disso, é possível sacar dinheiro da caderneta a qualquer momento
sem pagamento de nenhuma penalidade -o que pode ocorrer nos fundos de
investimento.
Mas vale destacar que mesmo a rentabilidade da poupança antiga tem
perdido para a inflação oficial (IPCA), que ficou em 0,55% em abril.
"Por isso, a poupança não é indicada para aplicações de longo prazo, com
para a aposentadoria", diz o planejador financeiro Valter Police.
"Nesse caso, o melhor é buscar um investimento com elementos de renda
variável, com maior potencial de ganho [como fundos de ações]."
Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress | ||