Em meio às centrais discussões e disputas acerca dos royalties do
petróleo brasileiro no fim deste ano de 2012, a União Nacional dos
Estudantes (UNE) vem a público reivindicar a urgente atenção da
sociedade e do poder público em direção àquela que é, claramente, a
principal envolvida nesse processo: a educação pública brasileira.
A UNE afirma, com transparente certeza, que o legítimo e importante
debate sobre a distribuição federativa desses recursos, entre estados e
municípios, não é mais prioritário do que a definição sobre suas áreas
de destinação. A UNE e o conjunto da sociedade brasileira querem 100%
dos royalties para a educação do país, assim como 50% do Fundo Social do
Pré-Sal para o mesmo setor.
Seja como forem distribuídos, os royalties devem ser destinados, em
cada localidade, para a melhoria das escolas, melhor remuneração dos
professores, correção das desigualdades regionais e sociais do ensino,
para o real desenvolvimento humano e a criação de condições de educação
justas a todos, nas maiores metrópoles ou menores zonas rurais do país.
Portanto, a UNE reivindica à presidenta Dilma Rousseff que
regulamente o projeto de lei do Senado 2565/11, recém aprovado pelo
Congresso, de forma a garantir 100% dos royalties da União para a
educação. Também cobra da presidenta os 50% do Fundo Social do Pré-Sal
para a mesma área.
O movimento estudantil convoca todos os cidadãos e cidadãs, o
movimento social organizado, formadores de opinião, internautas,
comunicadores, intelectuais, artistas a se engajar desde já na campanha
#REGULAMENTADILMA!. A ideia precisa ser difundida nas ruas e nas redes
sociais, nas universidades, nos meios de comunicação e todos outros
espaços que puderem ser ocupados.
A aplicação dos 100% dos royalties na educação é uma etapa da luta
dos estudantes, professores e dos movimentos educacionais brasileiros
pela garantia de um total de 10% do PIB exclusivamente nesse setor. No
último dia 26 de junho, após uma manifestação histórica em Brasília, os
estudantes ocuparam o plenário da Câmara Federal e conquistaram a
aprovação dos 10% dentro do projeto de lei que cria o Plano Nacional de
Educação (PNE). O texto seguiu para o Senado, retornará à Câmara e irá,
finalmente à sanção da presidenta Dilma Rousseff.
Frente à oposição de alguns setores do governo e da área econômica, a
UNE ampliou sua pressão e reuniu-se com Dilma no último dia 22 de
agosto. Após muita discussão, os estudantes convenceram a presidenta
sobre a necessidade dos 10% do PIB para a educação e chegaram ao
entendimento de que os 100% dos royalties e do petróleo e 50% do Fundo
Social do Pré-Sal seriam o caminho para alcançar tal patamar.
O projeto 2565/11, aprovado de forma tumultuada pelo Congresso no dia
seis de novembro, foi como uma bala perdida no peito da educação
brasileira, ao sofrer alteração equivocada e de última hora em seu
texto, que antes esclarecia completamente a destinação dos 100% dos
royalties para a educação.
Reconhecemos o protagonismo decisivo da própria presidenta em
demostrar publicamente o seu compromisso com a educação e o futuro do
país. Cabe agora à presidenta, que tem ouvido as reivindicações da
sociedade, mostrar-se coerente, regulamentando imediatamente os
Royalties da União nesse sentido.
Além disso, a UNE , a UBES (União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas) e a ANPG (Associação Nacional dos Pós Graduandos) e o
conjunto dos movimentos educacional apresentarão o texto de uma carta a
ser assinada por todos os prefeitos recém eleitos e governadores
brasileiros que assumam verdadeiramente o compromisso com a educação do
país. Os estudantes querem estados e municípios investindo, pelo menos,
50% do royalties que lhes cabem localmente no setor educacional.
Essas duas medidas serão como um passaporte para o futuro que todos
almejamos. Não há outro caminho para o Brasil senão a valorização de seu
sistema de ensino.
Investir na educação é a única forma de combater os contrastes
seculares da nossa sociedade, promovendo a inclusão e a justiça social.
Investir na educação é a única forma de distribuir renda, gerar conhecimento, reduzir a exclusão e a violência.
Investir na educação é a única forma de vencer a pobreza e os
preconceitos de todos os tipos, atacar a corrupção, valorizar a política
e a ética em todas as relações.
Investir na educação é a única forma de construir uma sociedade justa e desenvolvida para todos e não para poucos.
A UNE e os estudantes brasileiros, tantas vezes protagonistas nos
rumos do Brasil, contam com toda a sociedade brasileira para alcançar
essa vitória.
Lute conosco!
#REGULAMENTADILMA!