Número de candidatas escolhidas para o cargo aumentou 31,5% em relação ao pleito de 2008
Historicamente
privado da participação na vida política, o público feminino vêm
conquistando cada vez mais espaço nas eleições brasileiras. Tal
conquista é sinônimo não apenas de uma grande luta por uma sociedade
mais justa. É um reflexo de todo um movimento em defesa da igualdade de
direitos, como o acesso à educação, o direito de votar e ser candidata e
as condições igualitárias de ingresso no mercado de trabalho.
Nesse contexto, as eleições municipais de 2012 foram as primeiras a
incentivar a candidatura de mulheres, com a vigência da Lei 12.034/2009,
que estabelece que cada partido ou coligação, deve preencher o mínimo
de 30% para candidaturas de cada sexo.
Esta legislação colaborou para aumentar o número de candidaturas para
o cargo de vereador, alcançando a média de 37% de candidaturas
femininas.
Para a diretora de mulheres da UNE, Liliane Oliveira, a participação
feminina na política tem aumentado significativamente, mas avanços ainda
são necessários. ‘’ Precisamos progredir cada vez mais, tendo mulheres
eleitas comprometidas com políticas públicas para as próprias mulheres.
As leis já começam a demonstrar esses avanços, indeferindo a
participação de partidos que não cumpriram a cota de candidatas, por
exemplo. Tendo cada vez mais mulheres inseridas na democracia, poderemos
pensar e agir para garantir mais igualdade de gênero no Brasil’’,
explicou.
Em 2012, as mulheres representaram 12,03% do total de prefeitos
eleitos no país, somente no primeiro turno. Durante o segundo turno
ainda há uma mulher na disputa para a prefeitura da cidade de Manaus, no
Amazonas.
O estado de Minas Gerais obteve o maior número de prefeituras que
serão comandadas por mulheres, com 71 eleitas. Em segundo lugar está São
Paulo, com 67; seguido da Bahia, com 64; Paraíba, com 49; e Maranhão,
com 41.
80 ANOS DE VOTO FEMININO
A primeira brasileira a votar foi Celina Guimarães Viana, no estado
do Rio Grande do Norte, em 1927. A façanha, naqueles tempos de exclusão
completa da mulher na vida pública, aconteceu devido aos conflitos entre
a legislação daquele estado e a Constituição Federal brasileira. Pouco
tempo depois, a estudante mineira Mietta Santiago, na época com 20 anos e
regressando da Europa, fez o mesmo, utilizando-se de uma sentença
judicial até então inédita nas cortes brasileiras. Começava um movimento
nacional de mobilização de ativistas, escritoras, militantes políticas,
trabalhadoras e muitas outras que levaram o presidente Getúlio Vargas a
suprimir, em um decreto de 1932, qualquer restrição ao voto feminino.
Renata Barshttp://www.une.org.br/2012/10/eleicoes-2012-alcancam-recorde-de-mulheres-eleitas-para-prefeituras-municipais/