VEREADOR DENUNCIA ROMBO DE MAIS DE UM MILHÃO NO SAAE.
Ministério Público também está investigando venda de imóvel da prefeitura onde funcionava sede da autarquia.
Ministério Público também está investigando venda de imóvel da prefeitura onde funcionava sede da autarquia.
A polêmica
venda do terreno da sede do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto),
localizado no bairro Ano Bom, voltou a ditar o tom das eleições 2012 em
Barra Mansa. O caso, que foi parar no Ministério Público Estadual, está
gerando polêmica e pode causar sérios estragos na campanha do atual
prefeito de Barra Mansa e candidato a reeleição, Zé Renato (PMDB).
O vereador
Marcelo Borges, um dos que denunciaram o caso, está querendo que o
terreno volte a pertencer ao patrimônio público. Tanto que ele entrou
com um requerimento na Câmara Municipal, na última quinta-feira, dia 20,
solicitando ao prefeito de Barra Mansa a desapropriação do terreno que
pertencia ao Saae para a construção do novo Colégio Municipal Prefeito
Marcelo Drable. “O colégio encontra-se sucateado, sem condições de
ampliação e o número de estudantes aumenta a cada ano. É uma
reivindicação dos moradores. No lugar do colégio poderia ser instalado
um ginásio poliesportivo oficial, ou um teatro. Alguma atividade ligada à
cultura ou ao esporte”, justifica Marcelo.
O terreno foi
vendido à empresa Macmed Comércio de Material Hospitalar, de Vila Velha
(ES). O terreno, que mede cerca de 5,6 mil metros quadrados, foi vendido
por R$ 1,695 milhão. Segundo especialistas, uma área de terra de apenas
800 metros quadrados, no mesmo bairro foi vendida pelo Cana Esporte
Clube por R$ 1,2 milhão.
Câmara negou pedido de informações sobre leilão
Os vereadores
de Barra Mansa, segundo Marcelo Borges, negaram um pedido de informações
que ele havia protocolado na Câmara no dia 14 de abril de 2011. No
documento, Marcelo pediu informações sobre o leilão que havia
consolidado a venda do imóvel. “A alegação dos vereadores quando negaram
o pedido de informações era a de que estava tumultuando a Câmara com
minha perseguição ao prefeito. Mas como pode isso? A Câmara tem que
fiscalizar e se havia alguma dúvida sobre a venda de um imóvel que era
patrimônio público os vereadores precisam investigar. Esse é o nosso
dever, nossa obrigação”, afirma Marcelo.
Terreno foi vendido para uma empresa do Espírito Santo
O terreno
localizado em área considerada nobre, medindo 5.597 metros quadrados,
foi comprado pela empresa MACMED Comércio de Material Hospitalar, com
sede em Vila Velha, no Espírito Santo por R$ 1,6 milhão. No entanto,
Marcelo Cabeleireiro acredita que o terreno poderia ser melhor avaliado.
“Ainda não temos os laudos dos avalistas independentes, onde pedimos
para fazer o cálculo do valor do metro quadrado para anexar ao
processo”, diz Marcelo, lembrando ainda que para a instalação do Saae em
Saudade já foram gastos quase três milhões de reais, o que dá uma
diferença de um milhão de trezentos mil reais de prejuízo.
Licitação foi feita por cinco vezes
Em entrevista
ao jornal Folha do Interior em 2011, o prefeito de Barra Mansa, Zé
Renato, havia explicado ao Jornal Folha do Interior que a venda do
terreno do Saae, decisão tomada em 2007 para transferir a sede da
autarquia para o bairro Saudade, foi autorizada pelo Tribunal de Contas
do Estado após alguns ajustes de normas referentes a Lei 8.666 – Lei das
Licitações. Em 2007, de acordo com o prefeito, uma empresa, que faz
avaliações para a Caixa Econômica Federal, sugeriu que o terreno fosse a
venda por R$ 1,2 milhão. “Fizemos o edital de concorrência 04/2007 e
levamos para o Tribunal que fez alguns ajustes. Em 2008, o Saae
contratou um engenheiro que avaliou em R$ 1,470 milhão e, em maio, o TCE
liberou a venda. Tivemos quatro licitações desertas. Não apareceu
ninguém para comprar, nenhuma empresa. Em abril de 2010, na quinta
tentativa, apareceu a empresa MacMed”, disse o prefeito na época.
Marcelo questiona valor do aluguel pago à empresa do ES
O vereador
Marcelo Borges também questiona o aluguel que foi pago pela prefeitura –
R$ 23 mil por mês – por cerca de um ano para manter sua estrutura no
terreno comprado pela MacMed. “Porque o Saae vendeu o imóvel, mesmo
sabendo que não tinha pra onde ir e logo no primeiro mês passou a pagar
os R$ 23 mil mensalmente? Por que eles não pediram um tempo de carência
para a empresa. Além disso, também alugaram vários containers para
instalar partes do Saae em Saudade?”, dispara o parlamentar.
Marcelo ainda
cobra explicações da prefeitura sobre a construção de uma nova
elevatória de água que ficava no interior da sede. O Saae gastou R$ 280
mil, segundo o vereador, para construir uma nova elevatória na Rua
Antenor Rocha. “Fora a fortuna que foi gasta para fazer a logística de
transporte de equipamentos”, critica.
Estragos podem ser irreversíveis
Estragos podem ser irreversíveis
Segundo
analistas políticos ouvidos por nossa reportagem, mesmo que o Ministério
Público não se pronuncie antes das eleições, as denuncias que o
vereador vem fazendo na Câmara Municipal podem causar um grande estrago
na campanha de Zé Renato. “Desde o começo de sua campanha, o atual
prefeito tem usado como principal vitrine a questão da honestidade, mas,
agora, com as denúncias do vereador, a administração de Zé Renato fica
sob suspeita”, afirma um analista que prefere não se identificar. Desde
que foi concretizada a venda, ela se tornou alvo de críticas e ações
judiciais pelo baixo valor pago pelo imóvel.
Prefeitura diz que terreno foi desafetado pela Câmara
Em nota enviada
ao jornal Folha do Interior, a prefeitura de Barra Mansa disse que o
terreno citado foi desafetado pela Câmara Municipal e alienado com
autorização legislativa, através do devido processo licitatório, depois
de examinado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
Em relação ao
Colégio Municipal Marcello Drable, a prefeitura disse que já está pronto
o projeto para a construção de um novo colégio, na mesma área onde a
escola funciona atualmente, não havendo, portanto, necessidades de
aquisição de nova área. O projeto prevê a construção de novos espaços,
como mais salas de aula, duas quadras poliesportivas – sendo uma coberta
– auditório, sala de teatro, laboratórios, entre outros, nos moldes do
novo Colégio do Centro. Os orçamentos para a obra estão sendo
finalizados, para que ela possa ser licitada.
Ainda segundo a
prefeitura, ‘a exemplo do que foi feito no Colégio Municipal Padre
Anchieta, no bairro Vista Alegre, as obras no Colégio Marcello Drable
serão realizadas em etapas, com segurança e sem a necessidade de
transferência dos alunos’.
Matéria Publicada no Jornal Folha do Interior em 21 de setembro de 2012.
