O HPV (papilomavírus humano) é um vírus altamente prevalente na
população feminina — cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas serão
infectadas por um ou mais tipos de HPV ao longo da vida, mas apenas
10% delas desenvolve algum tipo de lesão, conforme explica
a ginecologista Dra. Neila Maria de Gois Speck, professora afiliada do
departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São
Paulo) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Patologias e
Trato Genital Inferior.
— Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV que são classificados de
baixo e alto risco. Destes, somente 15 tipos podem desenvolver câncer e
30 afetam a região genital, podendo causar lesões pré-malignas.
Segundo a médica, a maioria das mulheres infectadas por HPV não fica
sabendo, já que o sistema imunológico é capaz de combatê-lo sem causar
danos à saúde.
O oncologista Dr. Glauco Baiocchi Neto, diretor de Ginecologia
Oncológica do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, explica que dos 15
tipos de alto risco, dois (HPV 16 e 18) são responsáveis por 70% dos
casos de câncer de colo de útero.
— Além disso, há outros dois tipos considerados de baixo risco, HPV 6 e
11, responsáveis por 80% das verrugas genitais, que geralmente não
evoluem para câncer mas, mesmo assim, precisam ser tratadas.
Prevenção
Como a principal forma de contágio é via sexual, o Dr. Baiocchi reforça
a necessidade do uso da camisinha mesmo em relações estáveis. Além
disso, ele frisa que outra maneira de ficar longe do vírus é por meio da
vacinação.
— Já sabemos que a vacina contra o HPV é eficaz,
inclusive para homens, mas ela deve ser administrada, de preferência,
antes da iniciação sexual. Se não for possível, a indicação de bula é
para a faixa etária entre nove e 26 anos.
Atualmente, há duas vacinas disponíveis na rede privada, que são
chamadas de bivalente e quadrivalente. Segundo o oncologista, a
diferença entre elas é que a primeira protege apenas contra o câncer e a
segunda previne também as verrugas genitais.
Apesar de ser uma doença grave e que não apresenta sintomas, o HPV tem
tratamento e cura. Dependendo do estágio, é recomendado a aplicação de
medicamentos no local, cirurgia a laser, cauterização ou até pequenas
intervenções.
Além dos métodos preventivos, a Dra. Neila orienta fazer o exame de papanicolau uma vez por ano ou, pelo menos, a cada três anos, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde.
— Com um papanicolau bem feito, é possível evitar o câncer de colo de útero, já que a evolução da doença por HPV é bem lenta.