Para o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade
de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o estabelecimento de
cotas sociais é importante à medida em que pode facilitar o acesso de
estudantes de escolas públicas a cursos mais concorridos. "Basta ver os
cursos mais disputados de qualquer universidade pública, para ver como é
raríssimo encontrar algum estudante oriundo do sistema público", diz - o
que, segundo ele, perpetua a disparidade social, já que os estudantes
do sistema público tendem a ter um nível socioeconômico mais baixo. Uma boa implementação da política, no entanto,
depende de estudos prévios. "É preciso pegar os dados do Sistema de
Avaliação Básica (Saeb), para entender as particularidades desses
estudantes de escolas públicas. Eles não são todos iguais", avalia. "Não
dá para fazer políticas genéricas." Quanto às cotas raciais, ele é
contrário. "Acho que isso não funciona, porque vai muito da
autodefinição e os detalhes e diferenças são todos muito sutis", explica
Alavarse.
Segundo o projeto de lei, nas vagas reservadas a cotas
sociais ocorrerá um ajuste racial, feito com base nos porcentuais dos
perfis étnicos em cada Estado. Por exemplo, a reserva de vagas para
negros em Santa Catarina será menor que na Bahia. Nas universidades estaduais paulistas, a discussão sobre
cotas raciais está fora da pauta. Assim que o Supremo Tribunal Federal
(STF) votou pela constitucionalidade das cotas raciais, em abril deste
ano, USP, Unesp e Unicamp se disseram contrárias à medida. Elas defendem
a prevalência do mérito na seleção, embora tenham ações de inclusão -
sem, no entanto, reservar vagas.
A primeira discussão sobre o tema na USP surgiu na Faculdade de Direito, em maio deste ano, que recomendou ao Conselho Universitário, instância máxima da instituição, a adoção de cotas raciais, sociais e para deficientes físicos . A discussão não prosseguiu.
A primeira discussão sobre o tema na USP surgiu na Faculdade de Direito, em maio deste ano, que recomendou ao Conselho Universitário, instância máxima da instituição, a adoção de cotas raciais, sociais e para deficientes físicos . A discussão não prosseguiu.
Atualmente, a USP mantém o Programa de Inclusão Social (Inclusp)
, que dá bônus no vestibular a estudantes da rede pública. Neste ano,
28% dos novos alunos vieram de escolas públicas. Mesmo sem reservar
vagas, a Unicamp é a única que tem benefício específico para pretos,
pardos e indígenas. Eles chegam a receber 7% de bônus na nota, cerca de 2
pontos porcentuais a mais que alunos de escola pública - também
beneficiados. No último vestibular, 8,9% dos matriculados na Unicamp
vieram do grupo de pretos, pardos e indígenas. Das três, a Unesp foi a
que mais incluiu alunos vindos de escolas públicas: 41%.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
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