Blog do Julinho Esteves
SOMAR OU DIVIDIR?
Em todas as conversas sobre política em Barra Mansa que presencio ou escuto, a tônica é muito similar: Todos admitem o fracasso do governo atual, todos almejam por uma mudança, todos rechassam o prefeito Zé Renato como administrador, todos lamentam a fragilidade econômica da cidade, todos comprovam a ineficácia do secretariado do prefeito, todos desconfiam da moralidade das pessoas ocupantes dos altos escalões, mas todos temem que o prefeito consiga reeleger-se. O motivo é a provável divisão de forças políticas devido ao grande número de pré-candidaturas. E é sobre isso que vamos ponderar nesta postagem, desviando um pouco da ótica do pessimismo que aflige a tantos formadores de opinião na cidade.

Primeiramente, lamento que nosso país possibilite a reeleição de prefeito mas que só promova segundos turnos em cidades com mais de 200 mil eleitores. Isso não contribui com o processo democrático e facilita a corrupção eleitoral e estimula a compra de votos. Várias cidades "pequenas" do país, devido as suas características econômicas, manuseiam verbas vultosas e isso remete para a possibilidade de compra de votos. Peguemos o exemplo de Porto Real: Uma cidade que tem uma das maiores receitas públicas "per-capta" do país conta com apenas 15 mil eleitores. Ora, supondo que possa existir uma administação leviana e malversadora, seria fácil tentar cooptar 3000 votos através de compensação financeira, o que representaria 20% do univeso eleitoral da cidade e facultaria uma reeleição atípica dos seus governantes e distorceria a vontade popular.

Creio que como a legislação permite a recondução do prefeito para o cargo e como ele sequer precisa ausentar-se do poder, a tendência natural é que na tentativa de reeleição, haja um eleição plebiscitária, com o povo optando se quer ou não continuar com o modelo de governo. Porém, com a possibilidade de vários candidatos no pleito, o prefeito atual, seja em que cidade for, quando não há segundo turno, fica numa condição muito privilegiada perante os demais, e não é esse o espírito da legislação brasileira nem coaduna com os despachos de nossos juristas. Esse regulamento que rege as eleições brasileiras desconhece cegamente a pluraridade partidária que a própria democracia possibilitou, mas que é renegada de forma prática na legislação eleitoral.

É justamente nessa falha de concepção legisladora que amparam-se todas as esperanças de Zé Renato e seu séquito permanecerem no poder. Coincidentemente e compreensívelmente, é justamente nas cidades onde o prefeito atual tem desempenho pífio e desaprovação alta, que várias pessoas tendem a candidatar-se o que controvertidamente, acaba sendo benéfico para a situação.

O caso de Barra Mansa também se engloba nessa seara, mas tem as suas características próprias e são nelas que depositamos as nossas esperanças.

Nunca, na história desse município, houve uma insatisfação tão generalizada e um desejo tão ávido de mudança administrativa. São quase doze anos dessa gente no poder e o extrato do resultado governamental é a baixa qualidade de vida, impostos altos, trânsito caótico, saúde deficiente, educação vergonhosa, terceirizações esdrúxulas e suspeitas, desvalorizações profissionais, abandono de investimentos, fechamento de empresas, desemprego, fuga de jovens, marginalização, desvios financeiros, dilapidações patrimoniais, buracos, ratos, dengues, desabamentos, drogas, tráficos, vexamens, assédios, enchentes, fracassos e mais fracassos. Nunca a estima do cidadão barramansense encontrou-se tão baixa. Porém, um contigente considerável de privilegiados ainda desfruta de salários gordos e ilícitos, nomeações, cargos públicos para o qual não são talhados, matrículas ilegais, estágios favorecidos, contratações abençoadas, vendas superfaturadas, comissões, etc...Esse é o QG básico do eleitorado do Zé Renato. Isso, com a adição de familares e amigos dos contemplados com as mordomias e facilidades, pode até chegar a 30% do eleitorado e esse número realmente abre uma possibilidade de vitória, mesmo assim, eu acredito piamente que a população esperará o quadro eleitoral definir-se de uma forma mais consistente para optar e oferecer o seu voto para aquele(s) que realmente comprovar(em) na reta final, as suas reais chances de vitória. O eleitor de Barra Mansa optará em peso pela mudança, mesmo que a mudança não recaia sobre o nome preferido de cada um, mas mesmo assim, será uma mudança, e é essa a prioridade coletiva do eleitorado e creio que ele não vai deixar-se engabelar novamente com as ladainhas pagas com nossos impostos e vendidas a alto preço nas mídias oficiais.

Porém, é preciso um lembrete e um pedido a todos os nossos pré-candidatos que se oferecem como alternativa de poder e mudança: NÃO PERMITAM QUE O VENENO DO GOVERNO CRIE ANTAGONISMOS IRREVERSÍVEIS ENTRE VOCÊS, POIS ELES FARÃO TUDO PARA ISSO. Apresentem as suas propostas de governo e os seus planejamentos para a cidade, mas saibam, acima de tudo, que o inimigo é comum, e todos sabem quem é. Não se ataquem frívolamente nem se 'queimem' desnecessáriamente. Barra Mansa não quer uma guerra política suja e anseia por propostas factíveis de governo que nos permitam em curto espaço de tempo retomarmos o nosso desemnvolvimento e voltarmos a acreditar nas possibilidades de nossa terra. O jogo começou. Se depender deles, será novamente sujo e rasteiro. Não podemos permitir.

Nosso eleitor merece mais, muito mais, e tenho muita confiança de que ele saberá retribuir quem respeitar a sua inteligência.http://julinhoesteves.blogspot.com/2012/03/o-segundo-turno-invisivel.html