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A versão em inglês da Wikipédia, a maior enciclopédia colaborativa on-line do mundo, saiu do ar às 3h (horário de Brasília, meia-noite no horário de Washington, nos EUA) desta quarta-feira, em protesto contra projetos de lei antipirataria que estão em discussão no Senado dos Estados Unidos. O site se junta a mais de 10 mil outros endereços que também se propuseram a sair do ar no mesmo dia. A proposta da Wikipédia americana é ficar fora de serviço durante 24 horas.
Na página em português da enciclopédia, um banner preto avisa: “A Wikipédia precisa da internet para continuar livre” Os projetos de lei SOPA e PIPA ameaçam as Wikipédia em todos os idiomas.” e completa logo abaixo:
“A comunidade da Wikipédia em inglês autorizou a retirada do ar de todas as páginas daquele projeto no dia 18 de janeiro de 2012 durante 24 horas. A ação é um protesto contra uma legislação (SOPA-PIPA), em discussão no Congresso dos Estados Unidos, que poderá atentar contra a liberdade de expressão e informação na Internet.”
Os projetos de lei conhecidos como SOPA e PIPA - siglas de “Stop Online Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act” - surgiram de um esforço das indústrias fonográfica e de cinema americanas para retomar as vendas que perdem com o compartilhamento gratuito de seus produtos na internet.
O primeiro, que tramita na Câmara dos EUA, tem como líder Lamar Smith, republicano do Texas, além de um grupo bipartidário de doze autoridades. A Lei de Combate à Pirataria Online pretende bloquear o acesso a sites internacionais que comercializam conteúdo pirata como música, filmes e livros além de impedir empresas de pagamento de transferir dinheiro para seus donos e suspender imediatamente publicidade relacionadas a eles. Motores de busca seriam solicitados a apagar links para tais sites dos resultados e provedores seriam obrigados e interromper o acesso.
O segundo, tramita no Senado americano, e foi proposto pelo senador democrata Patrick Leahy e um grupo de 11 integrantes também bipartidário. A lei de "proteção de Propriedade Intelectual" pretende dar ao governo dos EUA o poder de bloquear "sites dedicados à pirataria ou produtos falsificados" - especialmente os estrangeiros.
Se aprovada, as normas irão obrigar os sites a acharem um meio de impedir a distribuição do conteúdo sob pena de fechamento da página ou até cinco anos de prisão para os organizadores do portal ou rede social. Produtores de conteúdo e estúdios de cinemas como Disney, Universal, Paramount e Warner Bros. e outros gigantes apoiam a iniciativa.
Polêmica aumenta após críticas da Casa Branca
Segundo informações da Reuters, o projeto de lei que parecia ter aprovação rápida e garantida talvez seja diluído ou mesmo abandonado, depois de ser criticado até pela Casa Branca, que teria pedido mudanças. Com a virada de mesa no Congresso americano, muitas companhias gigantes na internet não aderiram ao blecaute.
De todas, apenas Google, Wordpress e Wikipédia se manifestaram, a primeira com um link na página inicial, já as duas últimas, de forma mais drástica, puseram o site abaixo em protesto impactante.
No entanto, Google, Amazon, Facebook, eBay, Twitter, PayPal, Zynga, Mozilla, entre outras, são contra. Os serviços americanos serão os mais atingidos na campanha, na qual outros sites também vão se retirar do ar temporariamente, permitindo que os visitantes vejam apenas o conteúdo sobre os polêmicos SOPA e PIPA. A ação tem como objetivo encorajar os internautas a procurar um membro do congresso do local onde reside, para pedir que ele vote contra as propostas de lei.
A página inicial do Google nos EUA participa do protesto. O buscador acrescentou em sua home a frase “Diga ao Congresso: por favor, não censure a web”, que remete a um link para que internautas possam assinar uma petição contra os projetos de lei.
Na manifestação, a empresa admite que combater a pirataria online é importante, mas defende que não há a necessidade de prejudicar redes sociais, blogs e ferramentas de busca que fazem a internet prosperar e criar milhares de empregos.
Apesar do esforço liderado pela enciclopédia online, importantes redes sociais não aderiram à manifestação. Nesta segunda-feira, o diretor-executivo do Twitter, Dick Costolo (@dickc), disse que a decisão de tirar o microblog do ar seria "uma tolice".
“Fechar um negócio global por causa de uma questão de política nacional é insensato", escreveu no seu microblog em resposta a mensagens de jornalistas que perguntaram se o Twitter iria se unir ao blecaute.
Fonte: Globo.com