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Por Adelson Vidal Alves




            A expansão das redes sociais na atualidade coincidiu com o esvaziamento das organizações políticas tradicionais. No mundo árabe, na Europa, no Chile e nos EUA, as mídias sociais conseguiram mobilizar milhares de pessoas, derrubando, inclusive, regimes e obrigando governos a recuar em políticas recessivas. Nestes países, os sindicatos tradicionais e os partidos políticos quase não participaram, ou participaram de forma coadjuvante, nas várias manifestações chamadas pelo mundo virtual.
            O advento de uma ferramenta dinâmica, democrática, mobilizadora e desburocratizada empolgou à muitos na possibilidade do surgimento de um instrumento capaz de seduzir as massas na participação política, criando assim um novo ciclo de ascensão das lutas sociais. Lembro-me bem do sociólogo Manuel Castells, discursando em meio a jovens espanhóis, acampados na Praça de Madri e glorificando os novos veículos de comunicação. Até mesmo o autor deste artigo, ainda um entusiasta de novas formas de mobilização popular, crê hoje ter exagerado quanto ao seu otimismo, tanto frente ao verdadeiro potencial da internet, quanto ao real esvaziamento dos partidos políticos, que ainda que em crise, dão sinais de revigoramento.
            Mesmos nos momentos de maior euforia quanto às revoltas chamadas pelas redes sociais, muitos já alertavam para os limites deste tipo de ação. A capacidade de aglutinar, dinamizar e democratizar a participação popular confrontava-se com os limites de organizar um discurso homogêneo e de apresentar, assim, uma alternativa real de poder. Seria impossível, ainda, não se reanimar com a capacidade formidável de trazer de volta às ruas, manifestações globais antisistêmicas, até então em profundo refluxo.
            Pouco tempo depois da derrubada de presidentes na Tunísia e no Egito, nos grandes atos públicos na Grécia e na Espanha, assim como a revolta estudantil no Chile, os dias, agora, parecem apontar para uma mudança de perfil nas redes sociais, principalmente no Facebook.
            Se em algum momento ele chamou atos públicos contra a corrupção, governos ditatoriais e medidas de austeridade econômica contra as camadas pobres, hoje ele foi invadido por uma cultura politicamente descompromissada. Os perfis, cada vez mais, expõem sua autodeclaração de fé, seu proselitismo, assim como uma narrativa banal de atos irrelevantes de seu cotidiano pessoal. Os eventos desaguaram em entretenimento, substituindo passeatas e marchas politizadas, por encontros, festas e outras formas de baladas.
            Não que eu defenda uma rede social centralizada em discursos políticos e filosóficos. Entretanto, é impossível não reparar na rápida “glamourização” das várias redes sociais. Parece-me que a participação de grupos econômicos e organizações da sociedade civil, assim como indivíduos ligados à cultura de massas, conseguiram encorpar um modelo virtual de ação, centrado em questões sem relevância coletiva, bem distante do que poderia ser um novo foco de luta política antisistêmica.
            A meu ver, também no facebook as forças mantenedoras da ordem ganharam a hegemonia.

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Revisão textual: Regina Vilarinhos