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Johnes Hebert Victal Evangelista

Liderando a comunicação da Juventude Barra Mansa/RJ. Especialista em Educação e Direitos Humanos. Acadêmico Imortal pela ACILBRAS (Cadeira nº 1356) e Defensor da Cultura Mundial, Johnes é Licenciado em Letras e Pedagogia, com especialização em Universidade Federal. Líder estudantil de projeção nacional, foi protagonista na entrega da carta em defesa do PRONATEC à Presidência da República. Avaliador científico (FEMIC/UFCA) e autor com publicações internacionais na Colômbia e em editoras de alto impacto, possui expertise em Inovação Educacional e Gestão de Políticas Públicas. Sua atuação une o rigor acadêmico à mobilização social, consolidando a Juventude-BM como uma fonte de informação auditada, técnica e comprometida com a transparência pública diretamente do Sul Fluminense para o mundo.

75% das mortes provocadas por operações policiais acontecem em cinco municípios da Baixada Fluminense

Publicado em: julho 24, 2026 | Por Johnes Hebert

 


 

  • Segundo Relatório “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ”, realizado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, de 2020 a 2025, ocorreram 5.298 operações que resultaram em quase 300 mortos, 700 feridos, 5.783 presos e 41 adolescentes detidos;

    - Polícia Militar é responsável por 86% das operações; no entanto, o registro de ações realizadas pela Polícia Civil aumentou em 614% de 2020 a 2024
     
  • Duque de Caxias teve o maior número de mortos e feridos na região, com 66 e 160 respectivamente;
     
  • Dossiê traça ranking de batalhões da polícia mais letais da região, com o 15º Batalhão da Polícia Militar liderando com 71 mortos e 142 feridos em 1.289 operações;
     
  • Entre as armas apreendidas, os fuzis são apenas 5,5% do total, com pistolas e rádio comunicadores tendo maior recorrência;
     

Rio de Janeiro, julho de 2026 – Neste dia 24 de julho, a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), organização da sociedade civil que atua no enfrentamento à violência de Estado, lança o relatório “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ”, que analisa as operações realizadas na região entre 2020 e 2025.

 

Segundo Kharine Gil, assistente social, mestre em sociologia e doutoranda pelo pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ e pesquisadora da IDMJRacial, “os números evidenciados no relatório demonstram qual é o modus operandi do Estado nos territórios favelados e periféricos”. Para ela, “é preciso ver além da propaganda sobre as operações policiais na segurança pública e entender o que elas trazem de fato para a população submetida a esse tipo de ação violenta e, até, saber se elas são efetivas dentro do que elas mesmas se propõem”.

 

Baixada Fluminense teve mais de 5 mil operações entre 2020 e 2025

 

O relatório identificou que, entre 2020 e 2025, houve 5.298 operações na Baixada Fluminense, que resultaram em 282 mortos, 652 feridos, 5.783 pessoas presas e 41 adolescentes apreendidos. O relatório aponta que, embora a tendência da série histórica relacionada a esses números seja decrescente, a presença da polícia nesses territórios não se tornou menos ostensiva e violenta.

 

Analisando cada ano, o que mais teve ocorrências de operações policiais na Baixada foi 2022, com 1.486 casos, um aumento de 188% em relação ao ano anterior, que teve 515 operações (em 2020 houve 348 operações). Em 2023, o número caiu e 1.233, e a baixa se repetiu em 2024 (1.061 ações) e em 2025 (654).

 

O relatório destaca, ademais, o aumento exponencial de operações realizadas pela Polícia Civil: a Polícia Militar concentra a maioria dessas ações (86%), foi possível verificar que, em 2024, a Polícia Civil registrou número 614% maior de operações realizadas em comparação a 2020. Das delegacias especializadas da Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) lidera em número de operações, com 64 no total, seguida pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com 48 incursões, e pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), com 38.
 

Batalhões mais letais e territórios mais invadidos
 

Segundo o ranking de letalidade da Polícia Militar, o 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), localizado em Duque de Caxias, foi responsável pelo maior número de operações na baixadas, com 1.289 ações, 71 mortes e 142 feridos em apenas cinco anos. O 20º BPM, que atende Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis, fica em segundo, com 1.034 incursões, 51 mortos e 156 feridos, e o 39º BPM, de Belford Roxo, fica em terceiro, com 569 operações, número bem menor que o segundo lugar, mas com letalidade bem próxima, tendo registrado 45 mortes e 120 feridos.

 

No campo territorial, Duque de Caxias lidera entre os municípios da Baixada com mais vítimas, com 66 mortos e 160 feridos, seguido por Belford Roxo (48 mortos e 127 feridos), São João de Meriti ( 41 mortos e 77 feridos) Nova Iguaçu ( 29 mortos e 85 feridos) e Japeri (28 mortos e 70 feridos). São 13 os municípios que formam a Baixada Fluminense e, entre 2020 e 2025, nada menos que 75% das mortes registradas na região ocorreram nestes cinco municípios. O estudo salienta, ainda, que, como não há acompanhamento do estado de saúde das vítimas feridas, não é possível saber se houve mais mortes, após o registro na delegacia, ou se houve sobreviventes que tiveram apoio ambulatorial e hospitalar.

 

Das armas apreendidas, maioria é de porte médio

 

O relatório aponta, ainda, que, de 2020 a 2025, a apreensão de fuzis em operações policiais significou apenas 5,5% do total de confiscos. Pistolas (21%) e rádio comunicadores (19,9%) figuram como os itens mais recorrentes nas apreensões. Diante disso, o estudo questiona a proporcionalidade das operações e o nível de força dos agentes de segurança, que deixaram centenas de mortos e feridos, a partir do que é majoritariamente apreendido, armas de porte médio.

 

Em relação aos veículos confiscados pela Polícia, as motocicletas (60%) predominam. Carros representam 20% do total, seguido por caminhões (15%) e vans (5%). Como no caso das armas, estes dados apontam para uma desproporcionalidade no uso da força pelos agentes do Estado em comparação aos resultados concretos obtidos, visto que a maioria dos veículos apreendidos também é de pequeno porte e não há indícios de desmontes de estruturas logísticas nevrálgicas do tráfico.

 

Operações da Polícia resultaram em quase 6 mil presos em cinco anos

 

Entre 2020 e 2025, foram efetuadas 5.783 prisões durante incursões — em 2024, registrou-se o pico de 1.516 presos. O Rio de Janeiro possui, atualmente, a terceira maior população carcerária do País com 47 mil detentos e 62% das prisões foram feitas exclusivamente pela Polícia Militar, com o 20º BPM liderando como o batalhão mais ativo nessa ação.

 

O dossiê anotou também quantos os adolescentes foram apreendidos: 41 jovens, entre 2020 e 2025, tendo essas apreensões disparado em 2025, somando 31 casos. Entre os municípios, Belford Roxo, único da Baixada que possui Unidade Socioeducativa para medida privativa de liberdade, é o que mais teve registros desse tipo nos cinco anos analisados.

 

É destacada também, entre as medidas do Estado para com a Baixada, a Operação Barricada Zero, que prevê a remoção de barricadas — no período estudado houve 267 operações exclusivas para esse fim.

 

O estudo aponta que a narrativa de enfrentamento à violência tem sido utilizada em detrimento de um projeto de avanço da militarização desses territórios, aliada à expansão da urbanização com obras públicas de pavimentação, drenagem, saneamento básico e pavimentação asfáltica que pretendem a valorização imobiliária da área e, por conseguinte, a expulsão de moradores e moradoras da região.

 

Metodologia

 

A IDMJRacial é a primeira organização social a monitorar e sistematizar os dados relacionados a operações policiais que ocorrem na Baixada Fluminense. Para construir o estudo, foi utilizada a mineração de dados (técnica que processa e explora via computador grandes conjuntos de informações, para obter padrões, correlações e tendências base) de redes sociais da Polícia Militar e da Polícia Civil para identificar locais de atuação das polícias, apreensão de drogas e armas, prisões, assassinatos e pessoas feridas decorrentes desta modalidade de atuação policial.
 

Sobre o IDMJRacial

A Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) é uma organização com sete anos de atuação que nasce na Baixada Fluminense, território majoritariamente negro, com foco no enfrentamento à violência do Estado, à violência policial, ao racismo estrutural e ao privilégio da branquitude. Hoje tem atuação no ES, SP, RJ, PR e SC. Sua missão é contribuir para a construção de justiça racial, memória e políticas que promovam a vida, a partir da centralidade das populações negras e periféricas. A atuação se organiza a partir da construção coletiva com movimentos sociais, organizações de base e parceiros locais.


 

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