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Johnes Hebert Victal Evangelista

Liderando a comunicação da Juventude Barra Mansa/RJ. Especialista em Educação e Direitos Humanos. Acadêmico Imortal pela ACILBRAS (Cadeira nº 1356) e Defensor da Cultura Mundial, Johnes é Licenciado em Letras e Pedagogia, com especialização em Universidade Federal. Líder estudantil de projeção nacional, foi protagonista na entrega da carta em defesa do PRONATEC à Presidência da República. Avaliador científico (FEMIC/UFCA) e autor com publicações internacionais na Colômbia e em editoras de alto impacto, possui expertise em Inovação Educacional e Gestão de Políticas Públicas. Sua atuação une o rigor acadêmico à mobilização social, consolidando a Juventude-BM como uma fonte de informação auditada, técnica e comprometida com a transparência pública diretamente do Sul Fluminense para o mundo.

Crime organizado amplia influência sobre mercados legais e desafia modelos tradicionais de enfrentamento, alertam especialistas em seminário internacional na USP

Publicado em: junho 11, 2026 | Por Johnes Hebert

 

➢ Especialistas alertaram que o mercado ilegal de cigarros responde por cerca de 30% do consumo nacional e gera receita equivalente a dois terços do faturamento do crime organizado com a cocaína

➢ Primeiro dia do Seminário Internacional reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir como organizações criminosas têm ampliado sua presença em mercados legais, explorando brechas regulatórias, cadeias produtivas e sistemas financeiros

➢ Programação continua nesta quarta-feira (10) com discussões sobre lavagem de ativos, fraudes cibernéticas, governança criminal, proteção de portos e a convergência entre crime e terror
 

O General Juan Carlos Buitrago, que liderou a Polícia Nacional da Colômbia durante importantes operações de combate ao narcotráfico, Renan Pieri - FGV EAESP e Leandro Piquet - ESEM-USP debatem os impactos do comércio ilícito de produtos de tabaco e nicotina sobre o crime organizado transnacional nas Américas. Crédito da foto: Mareh Audiovisual.

 

São Paulo, 9 de junho de 2026 – O crime organizado transnacional deixou de atuar apenas nas margens da economia e passou a ocupar espaços cada vez mais estratégicos dentro de mercados legais, explorando fragilidades regulatórias, cadeias produtivas e estruturas formais de negócios. O alerta foi o principal consenso entre especialistas nacionais e internacionais reunidos nesta terça-feira (9), durante o primeiro dia do Seminário Internacional 2026 - Mercados Sitiados: Crime Organizado Transnacional e a Ascensão das Economias Ilícitas nas Américas, promovido pela Cátedra Oswaldo Aranha de Segurança e Defesa (COA) e pela Escola de Segurança Multidimensional (ESEM-USP).

 

Na abertura do evento, o coordenador da ESEM-USP, professor Leandro Piquet, destacou que o avanço das economias ilícitas já não está restrito a setores específicos da sociedade. “O crime organizado transnacional opera hoje por meio de redes profundamente interligadas. É preciso compreender que os próprios regimes de proibição frequentemente fortalecem essa arquitetura, servindo como motor para uma complexa estrutura de irrigação financeira que retroalimenta e funde as economias lícitas e ilícitas em todas as esferas da sociedade”, afirmou.

 

O professor Michael Miklaucic (USP/University of Chicago), atual titular da COA e um dos principais especialistas internacionais em segurança transnacional e governança, chamou atenção para a crescente convergência entre organizações criminosas e estruturas da economia formal, durante conferência sobre “A Evolução do Crime Organizado Transnacional e da Captura de Mercados nas Américas”. “O crime organizado transnacional já não se esconde no chamado submundo. Está intimamente entrelaçado com as economias convencionais, o direito, a política e a tecnologia”, afirmou.

 

Segundo Miklaucic, a expansão dessas organizações é sustentada não apenas por atividades ilícitas tradicionais, mas também por uma ampla rede de apoio composta por profissionais, empresas e mecanismos financeiros capazes de facilitar a movimentação de recursos e a infiltração em mercados legais. Durante sua apresentação, o pesquisador anunciou ainda duas novas iniciativas acadêmicas voltadas ao estudo do crime organizado transnacional: a criação de uma rede latino-americana de universidades dedicada ao tema e um novo programa de pesquisas sobre economias ilícitas na Amazônia.

 

Ao longo dos debates, especialistas alertaram que organizações criminosas têm ampliado sua atuação em diferentes setores da economia, utilizando mecanismos cada vez mais sofisticados para geração de receita, lavagem de dinheiro e expansão de sua influência. Entre os destaques do primeiro dia esteve o debate sobre cigarros eletrônicos e outros produtos de nicotina, que discutiu o crescimento do mercado ilegal de cigarros e vapes e seus impactos para a segurança pública. Segundo dados apresentados durante o debate, o mercado ilegal de cigarros no Brasil movimenta recursos equivalentes a cerca de dois terços do faturamento obtido pelo crime organizado com a cocaína.
 

O painel, mediado pelo professor Leandro Piquet, destacou que a expansão do consumo desses dispositivos, especialmente entre os jovens, vem sendo acompanhada pelo fortalecimento de redes ilícitas responsáveis pela importação, distribuição e comercialização desses produtos em diversos países da região. “No caso específico dos vapes, temos a estimativa de que o mercado está na faixa de 7,8% da população”, destacou.
 

Durante o painel, o General Juan Carlos Buitrago, ex-oficial da Polícia Nacional da Colômbia, alertou para o avanço do crime organizado sobre esse mercado e afirmou que “o comércio de produtos se converteu na principal modalidade de lavagem de dinheiro do crime organizado”. Segundo ele, o fenômeno já alcança os dispositivos eletrônicos para fumar, cuja comercialização ilegal tem crescido em diversos países latino-americanos.
 

Já o professor Renan Pieri, da FGV EAESP, chamou atenção para o tamanho da ilegalidade no mercado brasileiro de cigarros, que hoje representa cerca de um terço do consumo nacional. Com base em dados do Instituto IPEC de 2024, o pesquisador destacou que o mercado ilegal movimenta aproximadamente R$ 9 bilhões por ano no país e alertou que o recente aumento da tributação e do preço mínimo dos cigarros pode ampliar o diferencial de preços entre os mercados legal e ilegal, incentivando a migração de consumidores para produtos comercializados clandestinamente e fortalecendo as receitas do crime organizado. “O cigarro ilegal não é desvio marginal, ele é uma engrenagem financeira do crime organizado”, afirmou.
 

Mercados legais sob pressão 

No painel “Mercados Lícitos Sitiados: Como o Crime Organizado Infiltra a Economia Legal” foi discutido como organizações criminosas têm ampliado sua presença em setores formais da economia, aproveitando falhas regulatórias e mecanismos financeiros para ocultar recursos ilícitos e expandir sua influência econômica. Participaram do debate Atanas Rusev, diretor do Center for the Study of Democracy (CSD), Rodrigo Soares, vice-presidente de Assuntos Acadêmicos do Insper e André Mancha, professor da FEA/USP. Ao longo da discussão, os especialistas defenderam maior integração entre órgãos de fiscalização, aperfeiçoamento dos mecanismos de inteligência financeira e uso de tecnologias avançadas para identificar movimentações incompatíveis com padrões econômicos legítimos. “A Europol fez um mapeamento das redes mais perigosas, 86% delas têm entidades jurídicas legalmente constituídas.”, afirmou Rusev.
 

Já o painel “Infiltração nos Mercados Ilícitos de Combustíveis nas Américas: Lições da Operação ‘Carbono Oculto’” contou com a participação de Paulo Vitor da Silva, Procurador do Estado de São Paulo e integrante do Grupo de Atuação Especial para Recuperação Fiscal (GAERFIS); João Paulo Gabriel de Souza, Promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo e integrante do GAECO-SP; e Marcia Meng, Auditora-fiscal da Receita Federal do Brasil e superintendente da Receita Federal na 8ª Região Fiscal. Os especialistas abordaram a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis e os desafios para enfrentar estruturas cada vez mais sofisticadas de lavagem de dinheiro.
 

Durante o debate, a Operação Carbono Oculto foi apresentada como um exemplo de atuação coordenada entre diferentes instituições do Estado para combater redes criminosas que exploram toda a cadeia produtiva do setor, da produção à distribuição de combustíveis. Segundo Meng, brechas regulatórias geram um problema grave de mercado: quem sonega ganha uma vantagem competitiva injusta. “Isso permite que esses agentes irregulares cresçam no mercado, prejudicando e sufocando as empresas que operam de forma legal.”, afirmou.
 

Lavagem de dinheiro, portos e crime-terror estarão no centro dos debates desta quarta-feira

 

A programação do Seminário continua nesta quarta-feira (10) com novos debates sobre os desafios impostos pelo crime organizado transnacional e as respostas necessárias para enfrentá-los. Entre os destaques estão os painéis sobre lavagem de ativos, fraudes e crimes cibernéticos; governança criminal e controle territorial; proteção de infraestruturas logísticas críticas em portos e cadeias marítimas; cooperação público-privada contra a captura de mercados; e a convergência entre crime organizado e redes extremistas.

 

Participam do segundo dia especialistas internacionais como David M. Luna, fundador da International Coalition Against Illicit Economies (ICAIE); Rebecca Chávez, presidente e diretora executiva do Inter-American Dialogue; Vanda Felbab-Brown, Senior Fellow da Brookings Institution, com atuação em crime organizado, economias ilícitas e segurança internacional; Erin McFee, presidente do Corioli Institute e pesquisadora da London School of Economics (LSE); e Carl Alexandre, ex-representante especial adjunto da ONU para a missão no Haiti e ex-diretor do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os painéis do segundo dia começam às 9h30. O seminário tem entrada gratuita.

 

Confira a programação:


 


 

Sobre a Cátedra:

A Cátedra Oswaldo Aranha de Segurança e Defesa (COA) foi instituída pela USP para fomentar a produção acadêmica nas áreas de segurança e defesa, com ênfase na cooperação internacional e no enfrentamento dos desafios contemporâneos representados pelo crime organizado e sua transnacionalização.

Sediada no IRI e coordenada pela ESEM, a Cátedra promove o diálogo entre universidade, setor público, sistema de justiça e setor privado sobre temas como crime organizado, mercados ilícitos, terrorismo e insurgência criminal.

A COA é patrocinada pelo programa PMI IMPACT, financiado pela Philip Morris Brasil. O PMI IMPACT reúne organizações que combatem o comércio ilegal, fomentando parcerias público-privadas e capacitando-as a implementar soluções impactantes.

 

Serviço:
Seminário Internacional 2026 – “Captura de Mercados e Novas Tendências do Crime Organizado Transnacional nas Américas”
Data: 9 e 10 de junho de 2026
Horário: das 9h às 19h

Evento gratuito
Local: Auditório Carlos e Diva Pinho, 2º andar da Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) - Avenida Professor Luciano Gualberto, 908 - Butantã


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