Cientista apoiada pelo Instituto Serrapilheira, Sara Piperni promove atividades científicas e oferece bolsas em escolas do Rio de Janeiro Uma pesquisa sobre câncer, desenvolvida pela cientista Sara Piperni, saiu dos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para chegar a escolas públicas da Baixada Fluminense e do interior do estado. Com apoio do bônus de diversidade, recurso oferecido pelo Instituto Serrapilheira para ampliar a presença de grupos sub-representados na ciência, a pesquisadora transformou parte de seu trabalho em um projeto educacional voltado para jovens estudantes da rede estadual de ensino. No laboratório, Sara desenvolve chips de microfluídica personalizáveis para pacientes oncológicos, uma espécie de mini laboratório impresso em 3D capaz de simular como tumores e células de defesa do organismo interagem. A tecnologia permite testar medicamentos de forma mais precisa e estudar respostas ao tratamento contra o câncer sem depender exclusivamente de testes em animais. Foi justamente a partir dessa tecnologia e do ímpeto em aproximar esse conhecimento de alunos da rede pública que surgiu a expansão do projeto científico na UFRJ para ações educacionais em escolas. Estudantes do grupo Tecnobots, da Escola Municipal Walmir de Freitas, em Volta Redonda (RJ), por exemplo, desenvolvem sob a coordenação de Sara, materiais didáticos de anatomia em 3D para serem impressos e distribuídos em escolas públicas, começando pela anatomia da cabeça humana. A iniciativa promove ainda visitas a instituições científicas e bolsas de apoio para participação em projetos ligados à ciência e tecnologia. O coletivo Integraliza, que atua na Baixada Fluminense com ações comunitárias e educacionais, é parceiro da ação. “Fomos movidos por uma inquietação de que a ciência, a universidade e a tecnologia ainda chegam de forma muito desigual, principalmente aos territórios onde poderiam gerar maior transformação. Esse tipo de interação entre escola pública e universidade é importante porque esses espaços também podem ser ocupados por jovens estudantes da rede pública”, diz a cientista. Italiana radicada no Brasil, Sara estudou biotecnologia na Università degli Studi dell’Aquila, onde também concluiu o mestrado em Biotecnologia Celular e Molecular e o doutorado em Biotecnologia. Depois, atuou em projetos ligados a nanobiomateriais no INMETRO, no Rio de Janeiro. Atualmente, lidera o Labεn, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro voltado à bioengenharia e inovação em saúde. Apoiada por edital de apoio à ciência do Serrapilheira, Sara recebeu R$ 250 mil destinados à pesquisa científica e outros R$ 100 mil para serem usados exclusivamente como bônus de diversidade. “A proposta do uso do bônus de diversidade em escolas públicas é tornar o aprendizado mais acessível, interativo e próximo da realidade desses estudantes, usando tecnologia como ferramenta de inclusão e permanência”, afirma. Sara destaca que um dos resultados mais importantes do projeto tem sido acompanhar o envolvimento dos próprios estudantes com a ciência. “O mais bonito tem sido acompanhar o protagonismo deles nesse processo. Já conseguimos implementar bolsas para o coordenador do Tecnobots e para os próprios estudantes envolvidos, e foi muito marcante ver jovens ainda tão novos construindo currículo Lattes e começando a se reconhecer como parte da ciência.” O bônus de diversidade é um mecanismo criado pelo Serrapilheira para incentivar a inclusão de grupos sub-representados na ciência. Pesquisadores apoiados pelo instituto podem solicitar recursos adicionais de até 30% do orçamento original de seus projetos para ações voltadas à formação, permanência e integração desses grupos em atividades científicas e acadêmicas. Os recursos podem ser usados em bolsas, cursos, participação em eventos científicos, compra de equipamentos, auxílio para transporte e outras iniciativas ligadas à permanência de estudantes na ciência. Desde a criação do mecanismo, em 2019, o instituto já destinou mais de R$17 milhões para esse tipo de apoio em diferentes projetos de pesquisa no país. Sobre o Serrapilheira Lançado em 2017, o Instituto Serrapilheira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade, ajudando a construir uma sociedade cientificamente informada e que considera as evidências científicas nas tomadas de decisões. O instituto tem três programas: Ciência, Formação em Ecologia Quantitativa e Jornalismo & Mídia. Desde o início de suas atividades, já apoiou financeiramente mais de 400 projetos de ciência e de jornalismo e mídia, com mais de R$ 120 milhões investidos. |