CEO Juventude Barra Mansa
CEO & Diretor de Conteúdo

Johnes Hebert Victal Evangelista

Liderando a comunicação da Juventude Barra Mansa/RJ. Especialista em Educação e Direitos Humanos. Acadêmico Imortal pela ACILBRAS (Cadeira nº 1356) e Defensor da Cultura Mundial, Johnes é Licenciado em Letras e Pedagogia, com especialização em Universidade Federal. Líder estudantil de projeção nacional, foi protagonista na entrega da carta em defesa do PRONATEC à Presidência da República. Avaliador científico (FEMIC/UFCA) e autor com publicações internacionais na Colômbia e em editoras de alto impacto, possui expertise em Inovação Educacional e Gestão de Políticas Públicas. Sua atuação une o rigor acadêmico à mobilização social, consolidando a Juventude-BM como uma fonte de informação auditada, técnica e comprometida com a transparência pública diretamente do Sul Fluminense para o mundo.

O desafio da formação contínua para a construção de uma sociedade digital inclusiva

Publicado em: maio 30, 2026 | Por Johnes Hebert


Por Ainhoa Marcos, VP de Educação e Setor Público da ODILO
 

O Brasil avançou de forma significativa na digitalização dos serviços públicos, das empresas e dos processos produtivos. Em poucos anos, procedimentos que antes exigiam presença física hoje podem ser resolvidos por meio de um telefone celular, um site ou um aplicativo. No entanto, esse progresso convive com um desafio estrutural que, como país, não podemos ignorar: uma parte relevante da população não possui as competências necessárias para atuar com autonomia nesta nova realidade digital.

De acordo com os dados da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira realizada em 2024, 64,1% da população possui competências digitais básicas. Ainda assim, a própria pesquisa aponta a persistência de lacunas significativas segundo a idade e o contexto socioeconômico, especialmente entre os idosos e os grupos vulneráveis. A transformação digital avança, mas não na mesma velocidade para todos.

Neste cenário, a inteligência artificial pode atuar como uma importante ferramenta de democratização. Ao aplicá-la à aprendizagem, é possível oferecer uma hiperpersonalização que já permite, em muitos casos, romper as barreiras da exclusão digital. A tecnologia já é capaz de compreender o nível inicial de um usuário e recomendar conteúdos e formatos que melhor se adaptem às suas necessidades e etapa de vida, assim como às suas competências, promovendo o interesse e garantindo que ninguém fique para trás por falta de conhecimentos prévios.

Este contexto ampliou o significado da formação contínua. Durante anos, a aprendizagem esteve relacionada à formação tradicional em sala de aula. Hoje, essa visão é claramente insuficiente. Aprender deve ser um hábito praticado ao longo da vida, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Desde agendar uma consulta médica até operar serviços bancários, compreender uma notificação eletrônica ou interagir com o setor público, as competências digitais básicas se converteram em uma nova forma de alfabetização.

Diante deste desafio, observa-se que as administrações públicas brasileiras vêm colocando gradualmente a aprendizagem contínua e a capacitação digital no centro de suas políticas. A necessidade de continuar aprendendo também é percebida pela população economicamente ativa. Segundo dados oficiais publicados na pesquisa Global Hopes and Fears 2024, conduzida pela PwC, 43% dos trabalhadores brasileiros acreditam que a IA ajudará a aumentar a produtividade e a eficiência, enquanto 39% dizem que ela os ajudará a aprender novas habilidades.

Esses dados mostram como a força de trabalho está disposta a se preparar para usar essas ferramentas com o objetivo de otimizar seu trabalho. Além de refletirem que a demanda por aprendizagem responde tanto às políticas públicas quanto a uma crescente conscientização, por parte dos próprios cidadãos, sobre a importância de atualizar conhecimentos constantemente.

Essa mudança de paradigma exige repensar a estrutura de acesso ao conhecimento. A digitalização, por si só, não garante a inclusão. Quando não está acompanhada de uma formação acessível e adaptada, pode se converter em um novo fator de desigualdade. Por outro lado, quando se apoia em modelos de aprendizagem flexíveis e centrados nas pessoas, a tecnologia se converte em uma poderosa ferramenta de coesão social.

O verdadeiro sucesso da digitalização não reside apenas em permitir que o cidadão acesse uma ferramenta, mas em promover o hábito constante de aprender. Para isso, é necessário evoluir para modelos de aprendizagem multiformato e colaborativos, que incentivem o pensamento crítico e transformem o acesso à informação em uma experiência motivadora e recorrente, integrando a formação ao dia a dia do cidadão.

Neste contexto, a colaboração entre as administrações públicas e as empresas com enfoque social é fundamental. As instituições precisam de parceiros capazes de oferecer soluções de aprendizagem escaláveis, personalizadas e acessíveis, que alcancem públicos diversos. As plataformas de aprendizagem digital e os projetos orientados à democratização do acesso ao conhecimento vêm desempenhando um papel cada vez mais relevante neste ecossistema.

Uma população bem formada é mais autônoma, está preparada para as mudanças e é mais capaz de participar ativamente da vida pública. Em um país como o Brasil, com uma população cada vez mais diversa, investir na formação ao longo de toda a vida é uma estratégia essencial para promover a coesão social e a competitividade.

As administrações públicas têm diante de si a oportunidade de liderar essa transformação. Não basta adquirir conteúdo; o objetivo deve ser oferecer à sociedade soluções de aprendizagem inteligentes que permitam medir o impacto real na empregabilidade e no bem-estar da população, transformando regiões inteiras por meio da democratização do acesso a um conhecimento de alta qualidade.

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