
Entrevista com Eduardo Cunha referente ao aumento dos aposentados,é interessante saber quem está nos ajudando,afinal todo dinheiro que nossos pais,avós ,aposentados de modo geral venha receber já é uma ajuda extra para eles que logo vem contribuir conosco.
Portal — É verdade que o senhor votou por um percentual superior aos 7,7% proposto pelo Planalto para os aposentados?
Eduardo Cunha — Em primeiro lugar, quero dizer que votei favorável ao reajuste proposto aos aposentados de 8,72%. Não os 7,7% que foram aprovados. Votei pela aplicação de um índice de reajuste maior. Na medida em que essa proposta foi derrotada e essa votação foi nominal, houve um acordo de se colocar os 7,7%, porém rejeitando-se o fator previdenciário.
Portal — Foi uma votação em conformidade com as orientações do partido?
Eduardo Cunha — Na hora “H”, houve, porém, um descumprimento do acordo na votação, que acabou se transformando em nominal. Eu cumpri um acordo partidário e votei de acordo com a orientação do partido. Não votei contra ou a favor do fator previdenciário, simplesmente votei de acordo com um acordo político.
Portal — Há pontos polêmicos em torno do fator previdenciário. O senhor pode explicá-los com mais clareza?
Eduardo Cunha — Acho que dá para se discutir o fator previdenciário, sem dúvida alguma, mas é preciso também ver vários aspectos que não estão sendo levados em consideração, como a capacidade do erário pagar e o efetivo aumento da expectativa de vida do brasileiro, que é algo hoje muito diferenciado do que muitos anos atrás. A gente não pode querer considerar que uma pessoa com 50 anos de idade, faixa da minha idade, esteja apta para se aposentar sendo que ela está perfeitamente saudável para trabalhar.
Portal — Ou seja, o fator previdenciário, do jeito em que se encontrava, representava um equívoco?
Eduardo Cunha — Diria que é preciso que todos trabalhem. É a sociedade, como um todo, quem paga àqueles que se aposentam precocemente. Então, estamos pagando através de outros impostos que são elevados para cobrir um déficit previdenciário. É importante que a gente discuta isso à luz da realidade e o perigo é que o período eleitoral não costuma ser o melhor conselheiro para esse tipo de discussão porque as pessoas votam buscando apoio de corporações específicas, principalmente no Parlamento onde todas as votações são proporcionais e que uma corporação sozinha, qualquer que seja ela, é capaz de dirigir qualquer um. Esse não é o momento apropriado para esse tipo de discussão.
Portal — Afinal, deputado, quando foi efetivamente instituído o fator previdenciário?
Eduardo Cunha — O fator previdenciário não foi instituído agora, ele foi instituído no governo Fernando Henrique Cardoso. As contas da Previdência já vêm com problemas desde aquela época. Cada ano que passa, aumenta a expectativa de vida da população. Sou a favor de debater o tema (fator previdenciário). Isso não pode ser decidido de forma açodada em período eleitoral.