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Johnes Hebert Victal Evangelista

Liderando a comunicação da Juventude Barra Mansa/RJ. Especialista em Educação e Direitos Humanos. Acadêmico Imortal pela ACILBRAS (Cadeira nº 1356) e Defensor da Cultura Mundial, Johnes é Licenciado em Letras e Pedagogia, com especialização em Universidade Federal. Líder estudantil de projeção nacional, foi protagonista na entrega da carta em defesa do PRONATEC à Presidência da República. Avaliador científico (FEMIC/UFCA) e autor com publicações internacionais na Colômbia e em editoras de alto impacto, possui expertise em Inovação Educacional e Gestão de Políticas Públicas. Sua atuação une o rigor acadêmico à mobilização social, consolidando a Juventude-BM como uma fonte de informação auditada, técnica e comprometida com a transparência pública diretamente do Sul Fluminense para o mundo.

Como a Copa do Mundo influencia o comportamento do consumidor e por que isso deveria preocupar bancos e consumidores

Publicado em: junho 09, 2026 | Por Johnes Hebert


 


*Por Gustavo Caciatori

 



Gustavo Caciatori, COO e especialista em crédito com garantia de imóvel do Bari

A cada quatro anos, o Brasil entra em um estado quase ritualístico. A Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo, ela se tornou um fenômeno econômico e comportamental. Redefine prioridades de consumo, altera decisões financeiras e, de forma menos visível, influencia diretamente a tomada de crédito e o nível de endividamento das famílias.

 


Os dados de mercado mostram que esse impacto está longe de ser trivial. Um estudo da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, realizado em parceria com o Opinion Box, revela que sete em cada 10 brasileiros (67%) acreditam que terão novos gastos com a Copa, com foco principalmente em alimentação, bebidas, vestuário e eventos sociais. Trata-se de um consumo fortemente emocional, motivado por pertencimento, celebração e conveniência — não por necessidade. Esse é o primeiro ponto-chave: a Copa desloca o consumo do racional para o impulsivo

 


Esse comportamento tem efeitos diretos sobre o crédito. Historicamente, grandes eventos esportivos funcionam como catalisadores de consumo. No Brasil, de acordo com as pesquisas do SPC Brasil e da CNDL, a Copa já foi responsável por movimentar mais de R$ 20 bilhões, com cerca de 60 milhões de consumidores indo às compras. Além disso, categorias de maior valor agregado, como eletrônicos, ganham protagonismo. A troca de televisores, por exemplo, é um clássico: o evento se transforma em uma espécie de “Black Friday emocional” para o varejo.

 


Mas há um detalhe importante: a renda não cresce na mesma proporção. Segundo o Serasa, 80% dos brasileiros possuem renda comprometida. Ou seja, o aumento de consumo não vem de maior capacidade financeira, mas de antecipação de renda futura. É aqui que o ciclo se fecha: mais consumo emocional + renda instável = maior propensão ao endividamento.

 


Esse fenômeno ajuda a explicar por que períodos de grandes eventos coincidem com mudanças na dinâmica de crédito. O varejo, por exemplo, tende a flexibilizar condições de pagamento para capturar demanda, oferecendo parcelamentos mais longos ou facilitando a aprovação. Ao mesmo tempo, o sistema financeiro ajusta sua oferta diante de um cenário paradoxal: aumento da demanda por crédito, mas também maior risco de inadimplência.

 


E esse risco não é teórico. Dados recentes também do Serasa indicam que o Brasil já vive um cenário de inadimplência elevada, o que tem levado empresas a rever estratégias de financiamento justamente em momentos de alta demanda, como a Copa. Ou seja, o evento amplia tanto a oportunidade quanto o risco para o mercado de crédito.


 


Além disso, há um efeito macroeconômico mais amplo. Grandes eventos como a Copa movimentam cadeias inteiras, turismo, mídia, tecnologia e serviços, por exemplo, e podem gerar impactos bilionários na economia global. No Brasil, isso se traduz em aumento de atividade e circulação de dinheiro no curto prazo, o que tende a reforçar o apetite por consumo e, consequentemente, por crédito.

 


No entanto, esse impulso é temporário. A Copa cria picos de consumo concentrados, e não crescimento sustentado. Isso significa que o crédito contratado nesse período muitas vezes se estende para meses ou anos após o evento, sem o mesmo nível de renda ou motivação de consumo para sustentá-lo. O resultado é conhecido: um ciclo de endividamento que começa com celebração e termina com ajuste financeiro.

 


Diante desse cenário, a Copa do Mundo revela algo maior sobre o mercado brasileiro: o crédito não é apenas uma ferramenta econômica, mas também comportamental. Para instituições financeiras, isso representa uma oportunidade clara de expansão de carteira, mas também exige modelos mais sofisticados de análise de risco, que considerem sazonalidades comportamentais. Para o consumidor, o desafio é outro: reconhecer que decisões tomadas no calor do momento podem ter efeitos duradouros.

 


No fim, a Copa expõe uma verdade delicada: em todo o mundo, o impulso coletivo pode pesar mais do que o planejamento individual. E, quando isso acontece, é preciso ficar de olho para que o custo não se torne o invisível da festa.

 


*Gustavo Caciatori, COO e Especialista em Empréstimo com Garantia de Imóvel do Bari

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